Sexta-feira, Julho 17, 2009

THEY'RE COMING! AND I'M VERY CURIOUS!

Recentemente, vários autores de blogs de games ou cinema receberam uma estranha carta, somente tendo como remetente um número de caixa postal, o CEP e a cidade (São Paulo). No envelope simples, um adesivo selando-o, com uma figura de duas asas. Abrindo-o, encontro uma carta com duas frases: "They're Coming" (Eles estão vindo!) e "Vikings used to wear them for protection" (Vikings costumavam usá-las para proteção). Dentro do papel, um adesivo maior com o mesmo símbolo que estava fora do envelope.

Esse símbolo é o que os vikings utilizavam para proteção. De início fiquei sem saber do que se tratava, mas pesquisando nos sites/blogs que também receberam a carta surgiram duas hipóteses: Ou é uma campanha de marketing para o filme do Thor ou algo relacionado ao game Max Payne, já que no filme baseado no jogo de tiro da Remedy/3D Realms também aparecem essas frases, por informações que tive por aí. Tudo beleza! Até que hoje, dia 17 de Julho, recebo outro pacote via sedex. Tendo como remetente AESIR e a mesma caixa-postal, mesmo CEP e a mesma cidade, havia algo ainda mais misterioso dentro dele. Uma caixinha com as palavras "Aesir Pharmaceutics", "Lupino" e "Valkyr" e dentro dela dois frascos com um líquido azul inodoro.

Aí caiu a ficha: Realmente tem tudo a ver com Max Payne. E com a notícia de que vai ser lançado o terceiro jogo da franquia em 2010, com uma história que vai ser ambientada aqui no Brasil, mais especificamente, em São Paulo, é uma excelente e inteligente campanha de publicidade para o game, tornando-a bem realista. Aesir Pharmaceuticals é uma empresa do jogo que cria uma droga chamada Valkyr, onde é distribuída pelo traficante Jack Lupino no primeiro jogo (Interpretado por Amaury Nolasco na adaptação cinematográfica). Apesar de não ter visto o filme ainda, sou um fã dos dois primeiros jogos e deu uma vontade de jogá-los novamente, assim como conferir o longa-metragem.

Vale destacar outras informações do pacote: Conteúdo impróprio para consumo, não ingerir (Será que ao beber isso vou ter alucinações?) e evite contato com a pele e os olhos (Medo). E nos frascos ainda tinham outras informações: SERUM #292-50700 VALKYR, DEPARTMENT CODE 11/12 (Cada um dos frascos) e NON DISCLOSURED. Vou aguardar por mais informações e mais cartinhas misteriosas, postando aqui depois mais novidades. É inegável que, se for realmente uma campanha publicitária para Max Payne 3, a criatividade aqui é altíssima. Sites/Blogs que postaram esse fato também ou cujos autores receberam os pacotes: Nerd Somos Nozes, Nerddisse, Cinemando, Warpzona, Meio Bit, Haznos, Baunilha, InGameAddiction, SelectGame, Com Limão, Faca no Console, Cinema & Afins, Cinema é a minha praia, além de conter várias mensagens no Twitter a respeito.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

TRAILERS DE FILMES PRATICAMENTE DESCONHECIDOS, MAS QUE PODEM SER SURPRESAS AGRADÁVEIS (OU NÃO) + BLOG DE OURO

Quem acompanha meus posts aqui sabe que dou uma certa atenção para filmes desconhecidos ou que possuam uma campanha de marketing sofrível, fazendo com que passem despercebidos muitas vezes pelos cinéfilos. Lembrando mais uma vez deles, aproveito o momento para disponibilizar trailers de filmes que vi recentemente e que despertaram minha curiosidade quanto a eles, fazendo com que tenha uma grande vontade de vê-los. Também farei comentários sobre o que achei desses trailers e o que espero desses filmes. Vamos a eles:



1) Cherrybomb, de Lisa Barros D'Sa e Glenn Leyburn: Primeiro trabalho na direção de um longa-metragem, os dois diretores deste filme merecem crédito por um motivo: Servem para apagar a imagem de certinho de Ron Weasley, que nas suas férias de Hogwarts sai por aí com os amigos usando drogas, fazendo sexo e arrumando briga, como demonstra esse trailer. Rupert Grint é o nome principal desse filme, interpretando Malachy, um adolescente arruaceiro que sai junto com seus amigos Luke e Michelle, onde eles três terão um fim de semana selvagem, regado a bebidas, drogas, furtos em lojas e roubo de carros. Mas o que começa sendo uma brincadeira se transforma em algo muito sério quando eles descobrem que não podem sair dessas confusões assim tão fácil.

O trailer me lembrou de uma série também inglesa, chamada Skins, que vai para a quarta temporada. E outro fator que me chamou a atenção foi a presença do ator James Nesbitt, que teve uma atuação monstruosa no recente Five Minutes of Heaven. Tem tudo para ser um filme bem divertido.





2) Give'em Hell, Malone, de Russell Mulcahy: Esse outro trailer também me surpreendeu. Com um clima altamente setentista e noir, além de lembrar bastante algum filme do Tarantino, este filme conta com Thomas Jane interpretando o personagem título, um detetive casca grossa que protege um segredo de mafiosos. A trama em si não é nada original, mas por curtir filmes de gângsteres e ter gostado bastante do trailer, estou ansioso para conferir. Thomas Jane pode ser visto na nova série da HBO Hung e, apesar de canastra, gosto dos trabalhos que ele participa, como O Justiceiro e o ótimo O Nevoeiro. Além disso, o filme parece ter ótimas cenas de ação, com bastante violência. O único receio que tenho é em relação ao diretor, o mesmo de tralhas como Resident Evil: A Extinção e Escorpião Rei 2: A Saga de um Guerreiro, mas vamos dar uma chance ao homem. Já tinha me interessado pelo filme após ver o teaser sangrento, ao som de "Bad to the Bone". Agora com esse trailer então, a expectativa aumentou.





3) Goemon, de Kazuaki Kiriya - Este é um blockbuster de origem japonesa. Depois de impressionar com a adaptação do anime Casshern para o cinema, visualmente fantástico, Kazuaki Kiriya agora ataca novamente, dirigindo e roteirizando esse que parece uma continuação do seu filme anterior, devido ao visual caprichado, mas conta a história do lendário guerreiro ninja Ishikawa Goemon, uma espécie de Robin Hood nipônico, onde roubava dos ricos e distribuia para os pobres. É uma história de vingança, onde o nosso herói tentará assassinar Hideyoshi, este que matou a esposa de Goemon e sequestrou o seu filho, chamado Gobei. Parece ser bastante divertido, com um show de efeitos especiais e com uma trama não tão complicada como a de Casshern.




BLOG DE OURO: Fico feliz pela lembrança dos colegas blogueiros Pedro Tavares, do ótimo Cinema O Rama e do Gabriel Von Borell, do interessantíssimo Um olhar além da tela ao indicarem o meu blog para o selo "Blog de Ouro". Trata-se de uma corrente que visa incentivar o blogueiro e atestar a qualidade do seu trabalho. Muito obrigado mesmo, irei postar o selo junto com os que já existem aqui e tentarei escrever o melhor que puder, além de atualizá-lo com frequência. E para continuar, indico agora quatro blogs de grande qualidade:

Dementia 13 (http://demmentia13.blogspot.com)
Cenas de Cinema (http://www.cenasdecinema.com)
Sobre Filmes e Cigarros (http://filmesecigarros.blogspot.com)
Diário de um Cinéfilo (http://cinediario.blogspot.com)

Os indicados devem seguir as seguintes regras:

1)Exibir a imagem do selo;
2) Postar o link do blog que te indicou;
3) Indicar 4 blogs de sua preferência;
4) Avisar os seus indicados;
5) Publicar as regras;
6) Conferir se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

Domingo, Julho 05, 2009


CORALINE E O MUNDO SECRETO (CORALINE) - 2009

Diretor: Henry Selick

Vozes de Dakota Fanning, Teri Hatcher, Ian McShane, Jennifer Saunders, Dawn French, Keith David, John Hodgman, Robert Bailey Jr.

Com personagens, história e produção de Tim Burton, muitos ainda pensam que O Estranho Mundo de Jack, de 1993, também foi dirigido por ele, mas na verdade o encarregado nessa função foi Henry Selick, em sua primeira direção de um longa-metragem de animação. Três anos depois, Selick dirigiria James e o Pêssego Gigante, indicado a um Oscar, mas sem o sucesso de seu trabalho anterior. Em 2001, Selick se aventuraria ao dirigir um longa-metragem que era uma mistura de personagens de carne e osso com animação, chamado Monkeybone: No Limite da Imaginação, que foi um fracasso de público e crítica. Somente 8 anos depois Selick demonstraria seu talento novamente, ao adaptar o livro infanto-juvenil Coraline, de Neil Gaiman, transformando-se em uma animação em stop-motion mais voltada para os adultos, devido ao seu clima sombrio e algumas situações macabras, resultando em uma obra magnífica, merecedora de diversos prêmios que vier a concorrer.

Com uma forte influência de Alice no País das Maravilhas, Coraline conta a história da personagem-título, uma garota que acaba de se mudar de Pontiac para um edifício de apartamentos afastado da cidade. Com seus pais completamente ocupados na criação de um almanaque de botânica, sem darem atenção à menina, ela acaba saindo de casa para conhecer seus vizinhos: As senhoras Spink (Voz de Jennifer Saunders) e Forcible (Voz de Dawn French), duas atrizes teatrais aposentadas e o Sr. Bobinsky (Voz de Ian McShane), um sujeito que preza pela saúde e treina ratos para fazer apresentações. Ela acaba conhecendo também o estranho garoto Wybie Lovat (Robert Bailey Jr.) e o seu gato de estimação.

Chegando em casa e vasculhando o novo lar, Coraline encontra uma pequena porta na parede e pergunta à mãe se ela possui a chave. Depois de muita insistência a porta é aberta, mas por detrás dela existem apenas tijolos. Quando Coraline vai dormir, ratos aparecem para ela e fazem com que a garota siga-os até a porta, descobrindo agora que existe uma passagem para um mundo paralelo, onde tudo que a pessoa deseja pode conseguir. Através do corredor escuro, Coraline encontra seu outro pai e sua outra mãe, ambos com comportamentos totalmente diferentes dos originais, mais felizes e atenciosos, além de cozinharem muitíssimo bem. A única diferença é que eles no lugar dos olhos possuem botões. Com o passar dos dias, a outra mãe de Coraline pergunta se ela quer viver lá para sempre, mas deve fazer um sacrifício para isso: Costurar botões no lugar dos seus olhos. Tentando voltar para seu mundo, Coraline vai perceber que aquele mundo de sonhos tão fantástico inicialmente vai se transformar em um pesadelo.


Criado para passar em cinemas com tecnologia 3D, a fim de perceber todos os detalhes, é uma animação que não se concentra apenas nesse efeito visual, possuindo uma história ao mesmo tempo criativa e bizarra, além de possuir um visual que é maravilhoso, independente de ser visto em um cinema com projeção 3D ou no conforto de casa. Como falei, a história tem uma grande influência da clássica obra de Lewis Carroll: O ratinho que Coraline segue até a passagem é como se fosse o coelho branco, a porta é a toca do coelho, a própria garota de cabelos azuis é uma alusão à Alice, o gato de estimação do Wybie é o próprio gato de Cheshire, a outra mãe de Coraline é como se fosse uma Rainha de Copas e até existe uma cena em que Coraline entra dentro de um espelho. Além disso, Coraline ainda faz homenagens a pinturas famosas, como "O Nascimento de Vênus" de Botticelli e "A Noite Estrelada" de Van Gogh, em cenas de uma qualidade ímpar. Tudo isso acaba transformando a animação em algo mais rico e interessante de se ver.

No que se refere ao teor sombrio da animação, vale destacar a sua abertura, onde observamos a outra mãe costurando uma boneca como se estivesse dissecando um cadáver, a própria idéia de ter os olhos arrancados para substituir por botões, uma determinada cena em que um personagem tem sua boca costurada de uma forma que fique sempre sorrindo, a missão de Coraline em recuperar três objetos e seu ato final, com ares de pesadelo. A equipe de Henry Selick teve um trabalho hercúleo para terminar a animação, utilizando a complicada técnica de stop-motion para criar os movimentos dos personagens, onde um segundo é composto basicamente de 24 quadros, necessitando de uma extrema dedicação. Isso é visível quando assistimos ao resultado final e posso dizer sem medo que Coraline é uma das animações mais bem-feitas que assisti, das que utilizam essa técnica citada, onde desde os bonecos de silicone até o mini-figurino e os cenários foram criados com uma competência extraordinária.

As dublagens estão muito competentes, com destaque para Dakota Fanning, Teri Hatcher e Ian McShane, este último que dá um ar de bondade ao personagem Sr.Bobinsky, diferente de seus trabalhos habituais, citando, como o seu mais conhecido, o bruto Al Swearenger de Deadwood. Outro fator importante que deve ser mencionado é a sua trilha sonora, composta por Bruno Coulais, onde pelo menos a faixa-tema é altamente memóravel, ficando em nossas mentes.

No DVD lançado no Brasil, possui um making of de 35 minutos, onde conta detalhes da adaptação do livro de Gaiman, figurino, cenário, dublagens, enfim, podemos notar o trabalho duro que toda a equipe se sujeitou para criar essa pérola da animação moderna. Também ficamos sabendo que o personagem Wybie Lovat foi criado especialmente para o longa, não existindo no livro, criado com o propósito de não deixar Coraline conversando sozinha, boa parte da trama. E ainda possui cenas deletadas, porém esses dois extras só possuem legendas em inglês.

Concluindo, Coraline é mais um trabalho excepcional do diretor Henry Selick, depois de 16 anos, onde obteve grande êxito com Nightmare before Christmas. Uma animação visualmente fantástica, madura e criativa. Espero que seja lembrada no próximo Oscar, apesar de ter pela frente concorrentes de peso, como Up: Altas Aventuras, 9 e Ponyo on the Cliff by the Sea.

Nota: 8.5/10.0

Quinta-feira, Julho 02, 2009

FILMES VISTOS EM JUNHO DE 2009

Mês de São João, quadrilhas, comidas típicas... e poucos filmes. Vi somente 14 deles, sendo que um foi uma revisão (Transformers, de 2007). A decepção do mês vai para a continuação do filme dos robôs gigantes de Michael Bay: Transformers: A Vingança dos Derrotados. O primeiro filme foi bastante divertido quando vi no cinema, mas quando revi agora em DVD já caiu o nível. Tinha esquecido dos diálogos imbecis, como se estivesse em transe pelos efeitos especiais, uma novidade na época. Em segundo lugar, quanto a decepções, vai para Appaloosa, um filme que tinha tudo para ser excelente, mas infelizmente não é. Em relação a séries, vale destacar a volta da surpresa do ano passado True Blood, cuja segunda temporada está ainda melhor. Vamos à lista:

1) De volta para o futuro: Part 2 (Back to the Future: Part 2) - 1989 - Dirigido por Robert Zemeckis - Nota: 8.5


2) De volta para o futuro: Parte 3 (Back to the Future: Part 3) - 1990 - Dirigido por Robert Zemeckis - Nota: 7.5


3) O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator: Salvation) - 2009 - Dirigido por McG - Nota: 7.5

4) Guerra ao Terror (The Hurt Locker) - 2009 - Dirigido por Kathryn Bigelow - Nota: 8.0


5) Breaking News:Uma cidade em alerta (Daai si gin) - 2004 - Dirigido por Johnnie To - Nota: 6.5


6) O Homem que odiava as mulheres (The Boston Strangler) - 1968 - Dirigido por Richard Fleischer - Nota: 7.5


7) Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda) - 1988- Dirigido por Charles Crichton - Nota: 8.5

8) Appaloosa: Uma cidade sem lei (Appaloosa) - 2008 - Dirigido por Ed Harris - Nota: 5.5


9) Inimigo Público N°:1: Instinto de Morte (L'Instinct de Mort) - 2008 - Dirigido por Jean-François Richet - Nota: 8.5

10) Transformers (Idem) - 2007 - Dirigido por Michael Bay - Nota: 7.0


11) Pusher 2 (Pusher 2: With Blood in my hands) - 2004 - Dirigido por Nicolas Winding Refn - Nota: 8.0


12) 800 Balas (Idem) - 2002 - Dirigido por Aléx de la Iglesia - Nota: 8.5

13) Transformers: A vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen) - 2009 - Dirigido por Michael Bay - Nota: 4.0


14) Bolt: Supercão (Bolt) - 2008 - Dirigido por Byron Howard e Chris Willians - Nota: 7.5

Terça-feira, Junho 30, 2009

800 Balas (2002)

Diretor: Aléx de la Iglesia

Elenco: Sancho Gracia, Ángel de Andrés López, Carmen Maura, Luis Castro, Yoima Valdés, Manuel Tallafé, Eduardo Gomés, Enrique Martínez.


Estava na locadora procurando algum filme e fui então para a seção de faroestes, pois procurava o filme Lone Star: Estrela Solitária e já tinha visto ele por lá. Analisando as capas dos DVDs, um a um, uma surpresa: 800 Balas, do Aléx de la Iglesia, estava lá e não sabia que tinha por aqui. Como já estava querendo conferir outro filme do diretor espanhol, onde os três filmes anteriores que vi dele foram todos acima da média (Fiz um especial sobre ele aqui no blog, só clicar no marcador "Aléx de la Iglesia" ao lado), não pensei duas vezes em locá-lo. Iglesia é um diretor muito versátil, mudando de um gênero para outro facilmente e tendo resultados altamente satisfatórios. Com a ajuda do seu fiel colaborador, o roteirista Jorge Guerricaechevarría e possuindo um dom para comandar um filme sabiamente com poucos recursos, o diretor se transformou em cult e toda obra que se envolve agora é motivo de expectativa para os cinéfilos.

Com o filme que comento agora também não foi diferente: Com um roteiro exemplar, atuações divertidas de todo o elenco e mais uma vez a demonstração de talento do diretor na condução das cenas de ação e na escolha da trilha sonora, 800 Balas é uma honesta homenagem aos westerns e uma demonstração de amor ao cinema, homenageando também envolvidos nos longa-metragens que geralmente são esquecidos, mas fazem seu trabalho perigoso com garra e paixão: Os dublês, onde pudemos também notar esse tema no recente e esquecido Dublê de Anjo (The Fall), do Tarsem Singh.

Como acontece também no começo do filme do Tarsem, 800 Balas inicia com um acidente durante as gravações de um filme, onde o diretor usa aqui a técnica da metalinguagem e pensamos, no começo, que se trata de uma cena normal do longa-metragem, mas na verdade é um filme dentro do filme, somente para mostrar um fato que terá grande importância na trama. Corta então para os créditos iniciais, muito bem realizados, servindo de homenagem ao filme Três Homens em Conflito. Por sinal, a própria música que toca nesse momento é uma remixagem do tema do filme do Leone, composta por Ennio Morricone, mas remixada aqui por Roque Banõs, este que já colaborou com Iglesia em outros dos seus filmes.

Então, inicia-se a narrativa normal do longa: Nos dias atuais, Carlos (Luis Castro) é um garoto malcriado que é fascinado pelos cowboys e todos os personagens característicos do velho oeste. Vivendo com sua mãe Laura (Carmen Maura) e sua avó Rocío (Terele Pávez), o garoto não conheceu o pai e, enquanto estava fuçando uma caixa com recordações de sua mãe, encontra uma foto onde está seu pai e outros homens. Quando pergunta à Laura sobre a foto, ela prefere não falar nada, mas acaba dizendo que o pai do garoto era um dublê e morreu de uma forma que ela nunca explicou como. Também na foto, está o avô de Carlos, Julián (Sancho Gracia), que trabalhou no cinema como dublê em filmes do Clint Eastwood no passado e também em Patton: Rebelde ou Herói, de acordo com suas palavras. Persona non grata na família, o senhor Julián continua trabalhando no ramo do espetáculo, ao apresentar a escassos turistas que passam por Alméria, uma encenação, diariamente, sobre o mundo do faroeste, juntamente com seus companheiros.


Carlos, louco para conhecer o avô e visitar a cidade cenográfica chamada de "Texas Hollywood", onde Julián trabalha, fingindo ir para uma excursão da escola, engana a mãe e parte para Almería, utilizando o cartão de crédito dela para pagar o táxi. A partir daí somos apresentados ao grupo bizarro de amigos de Julián, desde o que faz o papel de enforcado (Eduardo Gómez) até o que faz o papel de vilão, chamado de Cheyenne (Ángel de Andrés López). Inicialmente, Julián não se importa com o garoto, mas quando descobre que é seu neto, passa a criar um vínculo de afeto com Carlos a cada dia que passa. Enquanto isso, a bem sucedida Laura procura por seu filho, ao desconfiar que ele tenha ido até Almería e decide comprar Texas Hollywood, com o intuito de fazer um parque temático, só para atrapalhar a vida de Julián e seus amigos.

Interessante que o filme possui três pontos de vista: O de Carlos, o de Julián e o de Laura. O garoto tem aquele espírito sonhador, típico de toda criança e Julián é um sujeito sem maiores objetivos para sua vida, preferindo viver do seu passado e aproveitar ao máximo cada segundo de sua existência, seja com bebidas, mulheres ou a farra com os amigos, representando a paixão pelo que se gosta. Já Laura representa a realidade, não possuindo qualquer sonho em sua vida e demonstra a típica bem sucedida capitalista. Laura nutre um ódio de Julián que aos poucos vai sendo explicado e é muito interessante esse drama familiar dado ao filme. As atuações são magníficas e divertidas, onde o elenco geralmente já tinha contribuído com Iglesia anteriormente.

O título do filme refere-se ao seu clímax, quando, ao saber que pretendem demolir Texas Hollywood para construir um parque temático, Júlian compra 800 balas de verdade para se proteger e só vai sair de lá com luta. O longa ainda tem resquícios de Cinema Paradiso, onde Carlos lembra Toto e Julián o velho Alfredo, em relação à paixão pelo cinema. A trilha sonora foi feita a partir de remixagens de diversos temas clássicos do western, como já citei no início do post, contribuindo ainda mais para a qualidade do filme. As cenas de ação são de respeito, com tiroteios bem coreografados e utilização dos recursos de uma forma econômica e eficaz.

Extremamente divertido e muito bem realizado, 800 Balas é mais um grande e apaixonado filme do Aléx de la Iglesia. Uma comédia sem frescuras e sem medo de ousar, utilizando humor negro, violência e nudez (O diretor sempre chama belas atrizes para participar de seus filmes, aqui representada pela escultural Yoima Valdéz) para contar sua história. Iglesia é autoral e extremamente criativo, mostrando muito de sua marca característica nesse filme. Uma ode ao cinema e uma homenagem verdadeira ao western spaghetti, de uma forma única. Aguardo ansiosamente pelos novos filmes do Iglesia, assim como quero ver os restantes de sua filmografia. Com certeza, deve valer a pena!

OBS: É Clint Eastwood que participa do filme mesmo?

Nota: 8.5/10.0

Quarta-feira, Junho 24, 2009

INIMIGO PÚBLICO N°: 1 - INSTINTO DE MORTE (MESRINE: L'INSTINCT DE MORT) - 2008

Diretor: Jean-François Richet

Elenco: Vincent Cassel, Gérard Depardieu, Cécile de France, Roy Dupuis, Elena Anaya, Ludivine Sagnier, Gilles Lellouche.

Abrindo o festival "Panorama do Cinema Francês 2009", que termina dia 25 de Junho em São Paulo e Rio de Janeiro, o filme Inimigo Público N°: 1 - Instinto de Morte é a primeira parte da história real do criminoso francês Jacques Mesrine e foi vencedor de três prêmios César, o Oscar da França, nas categorias de Melhor Ator (Vincent Cassel), Melhor Diretor (Jean-François Richet, mesmo do filme Assalto à 13ª DP, remake do longa-metragem do John Carpenter, de 1976) e Melhor Som. Concebido como um filme só, de duas partes, esse primeiro segmento conta a história de Mesrine, desde a sua saída do exército até se transformar no inimigo público número um da França, seguido fielmente por sua namorada Jeanne Schneider, apelidados até de Bonnie e Clyde franceses. A violência sempre esteve presente na vida de Mesrine, até mesmo durante a época em que era soldado, na Guerra da Argélia de 1959, onde, para cumprir seu dever, tinha que matar friamente diversos prisioneiros. Mesrine, após seu retorno a sua terra natal, passou a ser atraído pelo crime, passou a criar um instinto de morte, a ter atitudes suicidas e não ter limites quanto à ilicitude. Tudo isso por seu comportamento agressivo aliado às experiências traumáticas nas forças armadas.

O roteiro do filme, escrito pelo próprio diretor em conjunto com Abdel Raouf Dafri, adaptado a partir do livro escrito pelo próprio Jacques Mesrine, é muito competente, mostrando fatos verdadeiros da vida do criminoso, como os roubos cometidos (Roubou dois bancos em um mesmo dia, juntamente com seu parceiro Jean-Paul Mercier), o sequestro de um milionário, suas visitas à prisão, dentre outros. O diretor utiliza diversos recursos para contar a história, como elipses temporais muito bem empregadas, técnicas de split-screen (O início do filme me lembrou bastante o clássico O Homem que odiava as mulheres, de Richard Fleischer, através de pequenos quadros espalhados pela tela, mostrando diversos ângulos do cenário e personagens, ao mesmo tempo), auxílio de espelhos para criar cenas visualmente interessantes e cenas em preto e branco, ou seja, Jean-François Richet agiu como um verdadeiro mestre nas câmeras e realmente mereceu seu prêmio no César Awards.

Todo o desenrolar da trama acontece na França, Canadá e Espanha, durante as viagens de Mesrine e seu envolvimento, pouco a pouco, com a criminalidade. No caminho conhece diversas mulheres, mostrando o caráter conquistador do anti-herói, seja com prostitutas, garotas certinhas como Sofia (Elena Anaya) ou criminosas como Jeanne (Cécile de France, belíssima) e Sylvie (Ludivine Sagnier). Outros parceiros do crime também aparecem, como o mafioso Guido (Gérard Depardieu), chefe e amigo de Mesrine, Paul (Gilles Lellouche) e o agitado Jean-Paul Mercier (Roy Dupuis). A trilha sonora, composta por Marcus Trumpp e Marco Beltrami, é muito interessante, realçando o teor de suspense em determinados momentos do longa. Anteriormente, Howard Shore estava cotado para compor, mas foi substituído por Trumpp e Beltrami.

Em termos de atuação, o destaque, claro, é de Vincent Cassel, em uma bela interpretação, fazendo com que ganhasse 20 quilos para o papel, onde realmente notamos sua entrega total ao personagem. Mesrine era um homem que queria constituir família e viver honestamente, mas seu destino era ser conhecido, não honestamente, mas através da ilicitude, aumentando ainda mais seu instinto mortal, já que topava tudo e era dono de um comportamento imprevisível, desafiando policiais e arriscando perder sua vida a cada dia que passava. Isso garantia o seu status de celebridade e podemos notar isso com outros malfeitores reais mundo afora, como Charles Manson e diversos outros, além de criar fanáticos pelo mundo. Coadjuvantes de luxo, como Depardieu e Cécile de France, também estão ótimos. Além de homenagens à The Boston Strangler, também claramente pode notar algo de Bonnie & Clyde: Uma Rajada de Balas, como citado no primeiro parágrafo, como a perseguição da polícia à Mesrine e Jeanne.

Inimigo Público N°: 1 - Instinto de Morte confirma o talento do diretor Jean-François Richet para comandar filmes policiais, com cenas de ação muito bem coreografadas e uma bela produção para um filme feito para a TV francesa. Com estréia prevista para 03 de Julho nos cinemas brasileiros, merece uma conferida. A segunda parte ainda nem tem estréia no Brasil (A não ser que queira optar por meios alternativos), no entanto, atrapalhando a continuidade da trama. Porém, seria uma injustiça tremenda, convenhamos, deixar de assisti-lo, se tiver oportunidade de ver no cinema.

Nota: 8.5/10.0

Quinta-feira, Junho 18, 2009


UM PEIXE CHAMADO WANDA (A FISH CALLED WANDA) - 1988

Diretor: Charles Crichton

Elenco: John Cleese, Jamie Lee Curtis, Kevin Kline, Michael Palin, Maria Aitken, Tom Georgeson, Cynthia Cleese.

Já tinha conhecimento sobre esse filme. Inclusive já foi transmitido na TV Aberta há um bom tempo, mas nunca havia me interessado por ele. Tempos depois, quando finalmente assisti aos três longa-metragens da trupe inglesa Monty Python e assisti à primeira temporada da extinta série deles, repleta de gags, chamada Flying Circus, passei a me interessar por Um Peixe Chamado Wanda. Por que? Simplesmente porque, além de ter recebido altíssimas notas nos sites de críticas por aí, teve roteiro de autoria do próprio John Cleese, um dos antigos membros dos Python, sem contar que também atuou no papel de um dos personagens principais do filme. Mais motivos? No elenco, além do Cleese, também estava outro membro do Python: Michael Palin. Sem contar que foi indicado a três Oscars (Melhor diretor, ator coadjuvante e roteiro original) e ainda tinha Jamie Lee Curtis e Kevin Kline entre os atores principais.

Então, finalmente pude conferir o filme. E me surpreendi: Realmente, Um Peixe Chamado Wanda merece todos os elogios que recebeu e me arrependo de ter visto ele somente agora. Com um roteiro muito bem escrito, personagens hilários e muito humor negro, o filme é uma diversão de primeira categoria, com piadas inteligentes e um ritmo que nunca chega a desacelerar ou ficar chato. O elenco deve ter se divertido bastante nas filmagens, assim como nós, espectadores, que também rimos bastante com as situações contidas nele.

A história acontece em Londres e parte de um assalto a banco. O plano é elaborado por Georges Thomason (Tom Georgeson), juntamente com sua namorada americana Wanda Gershwitz e seu braço direito Ken Pile (Michael Palin). Wanda diz que possui um irmão de excelente pontaria e que seria de grande importância no crime que cometeriam. O malandro chama-se Otto (Kevin Kline) e na verdade é amante de Wanda, fingindo ser irmão apenas para ninguém desconfiar. O dia do golpe chega e tudo acontece conforme o planejado, mas verificamos que ninguém dentre esses quatro personagens é digno de confiança. Wanda e Otto denunciam George para a polícia, dizendo que ele tinha roubado o banco. E a própria Wanda tem indícios que daria o golpe no Otto também, ficando com todo o valor subtraído. Quando os dois vão pegar as jóias, descobrem que George escondeu tudo e deixa o encargo com seu amigo Ken, onde este ficará responsável por guardar a chave de onde estariam as jóias em um local seguro.


Movem um processo contra George, a fim de saber se realmente ele estava participando do crime. Seu advogado é um profissional renomado chamado Archie Leach (John Cleese). Wanda, tentando se aproximar do advogado e obter informações sobre o local onde estariam as jóias, acaba se passando por uma estudante de Direito admiradora do profissional e isso acaba gerando uma teia de confusões.

O filme vai ficando cada vez mais engraçado com o desenrolar da trama, principalmente por causa das características de cada um dos personagens e por suas atuações inspiradas. Kevin Kline brilha em sua atuação vencedora do Oscar, interpretando o hilário Otto, roubando todas as cenas em que aparece. Sujeito de raciocínio lento, mas que quer bancar o intelectual sem ser (No começo do filme ele está lendo o livro "Além do Bem e do Mal", do Friedrich Nietzsche), Otto é o que garante maiores risadas. Não tem como rir nas cenas em que ele, fingindo saber falar italiano, só profere palavras como "Mussarela", "Benito Mussolini", "Parmeggiani", dentre outras pérolas. Wanda, interpretada por Jamie Lee Curtis, é uma mulher manipuladora, utilizando de sua sensualidade para conseguir o que quer. Se derrete toda quando ouve algum homem falando uma língua estrangeira, seja russo, ou italiano (Hilária a cena quando Otto faz sexo com ela citando versos da música "Volare"). John Cleese também mostra o seu talento para a comédia, interpretando um sujeito tipicamente inglês, com um casamento desgastado e que vê em Wanda sua tentativa de viver alegremente. Demora a fazer rir, mas quando o faz, é infalível. E Michael Palin também está hilário, no papel de Ken, apaixonado por animais e dono de uma gagueira terrível. Tom Georgeson também está engraçado e é dono da frase impagável do filme: Unbe-fucking-lievable!

Último filme do diretor Charles Crichton, Um Peixe Chamado Wanda é uma das melhores comédias dos anos 80 e merece ser vista e revista. Com um humor inteligente, garantirá, com toda certeza, muitas risadas espontâneas. Altamente recomendado! Algumas curiosidades:

- Cynthia Cleese, que interpreta Portia, é filha do personagem de John Cleese tanto no filme, quanto na vida real.

- Além desse trabalho, Jamie Lee Curtis, Cleese e Kline também atuaram juntos no filme Ferocidade Máxima e os dois últimos foram vistos também no faroeste Silverado.

- Archie Leach era o nome verdadeiro do ator Cary Grant.

- Quando foi exibido nos cinemas da Dinamarca, um sujeito riu tanto que faleceu lá mesmo, vítima de ataque cardíaco.

Nota: 8.5/10.0