Quarta-feira, Novembro 11, 2009

PROJETO "MISSÃO 24 HORAS BRASIL":


A Ichimps, empresa publicitária que executou a campanha viral do DVD de Max Payne há uns meses atrás (Conferir esse post), está com um novo projeto. Agora será um ARG relacionado à série 24 Horas, onde envolverá ações online e offline (Para quem residir em São Paulo) e as equipes formadas colherão pistas a fim de solucionar os enigmas que acontecerão nos dias 28 e 29 de Novembro de 2009. O projeto visa promover a sétima temporada da série, que está à venda e os prêmios são bastante chamativos. Saca só os prêmios que as equipes poderão ganhar:

1º Lugar: 3 Aparelhos de telefone celular da marca Blackberry / 1 Quadro autografado pelo ator Kiefer Sutherland / 3 kits de todas as temporadas da série 24 Horas em DVD / 3 caixas com a 7ª temporada da série 24 Horas em Blu-ray.

2º Lugar: 1 roteiro autografado pelo ator Kiefer Sutherland e pelos produtores e diretores da série 24 Horas / 3 relógios licenciados pela série 24 Horas / Todas as temporadas da série 24 Horas em DVD / 1 caixa com a 7ª temporada da série 24 horas em Blu-ray.

3º Lugar: 1 roteiro autografado pelos produtores e diretores da série 24 horas / 3 relógios licenciados pela série 24 Horas / Todas as temporadas da série 24 horas em DVD / 1 caixa com a 7ª temporada da série 24 horas em Blu-ray.

Para maiores informações, cadastro e regulamento, acessem http://www.missao24horasbrasil.com.br/. Para seguir Chloe O'Brien no Twitter, que ajudará as equipes cadastradas, só visitar o perfil: http://twitter.com/24hChloe. Perfil da comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=95918084.

Estou tentando formar uma equipe, de preferência com alguém de São Paulo que possa participar das tarefas offline, já que sou de outro estado. Se quiserem ir montando suas equipes, só visitarem o site do projeto e ir cadastrando. Promete ser divertido!

Domingo, Novembro 08, 2009

LISTA DE FILMES VISTOS EM OUTUBRO DE 2009
Depois de quase um mês sem postar aqui no blog, podendo dizer que tirei férias nas postagens, volto para postar a lista mensal dos filmes vistos. Estava sem criatividade para postar sobre os filmes que vi e sem muita empolgação, principalmente por causa da correria causada pelas solenidades finais de minha formatura. Só criei dois posts no mês passado, para se ter uma idéia. Mas agora vou tentar voltar à normalidade, postando frequentemente e desculpem a minha ausência. Vi 14 filmes, a maioria de excelente qualidade, de procedência estrangeira ou desconhecidos filmes americanos. No entanto, vi talvez o pior filme do ano até então: Gamer. Queria poder escrever sobre eles mais detalhadamente, mas como não foi possível, fiz breves comentários sobre cada. Vamos à lista:


1) Loft (Idem) - 2008 - Dirigido por Erik Van Looy - Nota: 8.5 - Do mesmo diretor do excelente Alzheimer Case, este filme belga é outro suspense muito bem construído por Erik Van Looy. Com uma história simples, o diretor vai criando sua trama com habilidade, até o seu final repleto de reviravoltas. A forma como o filme é construído lembra um pouco Os Suspeitos, de Bryan Singer, em que 5 amigos, casados e bem sucedidos, resolvem frequentar um loft, propriedade de um deles, onde poderão dar suas escapadelas e levar suas amantes até o local, tudo discretamente. O problema aparece quando, numa certa noite, o corpo de uma mulher aparece na cama, todo ensanguentado e sem vida. A partir daí, os amigos tentam descobrir, assim como o espectador, quem matou aquela pessoa, mostrando flashbacks de fatos que levaram àquela situação trágica. As atuações estavam ótimas, de todos eles e vale destacar dois atores que também estiveram no filme anterior do diretor: Koen De Bouw e Jan Decleir. A trilha sonora é outro fator a se destacar, típica de um belo suspense. Fiquem de olho nesse diretor! Seu próximo trabalho será no roteiro do filme Dossier K., outro que aguardo ansiosamente.



2) Comando Final (Saat Po Lang) - 2005 - Dirigido por Wilson Yip - Nota: 8.0 - Antes de comandar o ótimo Flashpoint, em 2007 e a história do mestre de Bruce Lee Ip Man, em 2008 (Que receberá uma sequência em 2010), o diretor chinês Wilson Yip tinha conduzido este grande filme de ação Comando Final, com uma reunião de grandes atores de filmes de ação chineses, como Donnie Yen, colaborador fiel do diretor, Simon Yan e Sammo Hung, numa trama que envolve a luta incessante contra o crime e a consequência deste ato. O filme não tem muitas lutas, mas as que existem nele são impressionantes. Uma cena excelente é quando um policial é surpreendido por um misterioso assassino que é expert em armas brancas. O ambiente, que antes estava repleto de pessoas, vai aos poucos ficando vazio e só restam o policial sem sorte e o tal assassino, resultando em uma cena brutal, tamanha a violência, mas que fica em nossa memória. Um dos melhores filmes de ação orientais que vi nos últimos anos.


3) Passageiros (Passengers) - 2008 - Dirigido por Rodrigo García - Nota: 5.0 - Se tem uma coisa que atrapalha totalmente este filme de Rodrigo García, filho do renomado escritor Gabriel García Márquez, é o seu trailer. Caso tenha vontade de ver esse filme, não veja o trailer dele, pois possui um spoiler que já mata a charada sobre a revelação final. Mesmo que não veja, ainda assim com 40 minutos de filme você já consegue saber o que o diretor guarda para a tal revelação "surpreendente". Aliás, pelo próprio acontecimento inicial já dá para saber o final. O maior pecado do filme é justamente a sua previsibilidade, em uma obra que assistimos e 15 minutos depois já a esquecemos. A trama se desenrola praticamente como um romance e quando tenta injetar suspense, já é tarde demais para ganhar o interesse do espectador. Nem Anne Hathaway salva o filme de se tornar desinteressante.


4) Intrigas de Estado (State of Play) - 2009 - Dirigido por Kevin Macdonald - Nota: 8.0 - O diretor Kevin Macdonald, mesmo de O Último Rei da Escócia, se baseou em uma mini-série da BBC para construir o seu novo longa-metragem. Com um elenco composto por Russell Crowe, Rachel McAdams, Ben Affleck, Helen Mirren, Jason Bateman e Jeff Daniels, é um thriller político bastante eficiente que faz lembrar um pouco o clássico Todos os Homens do Presidente, por causa dos esforços de jornalistas em desvendar um escândalo no congresso. Tem um bom ritmo, boas atuações e prende a nossa atenção, características bastante positivas e que me deixaram interessado na mini-série inglesa, com também um elenco respeitável, como David Morrissey, James McAvoy, Bill Nighy e Kelly MacDonald.


5) A Primeira Noite de um Homem (The Graduate) - 1967 - Dirigido por Mike Nichols - Nota: 8.0 - Só agora pude assistir a este clássico filme de Mike Nichols, cujo pôster é facilmente reconhecível e marcou época, com uma atuação inspirada de Dustin Hoffman, no auge de sua carreira. Os ângulos de câmera ousados, a trilha sonora composta por Simon & Garfunkel e a leveza com que é conduzida a trama, dividida em duas partes (Envolvimento do jovem Ben Braddock com a coroa Mrs. Robinson e depois a paixão do rapaz pela filha da personagem de Anne Brancroft) são motivos para reconhecermos que trata-se de um filme de grande força. Uma comédia romântica que seria imitada à exaustão nos anos posteriores.


6) Nightwatch: Perigo na Noite (Nattevagten) - 1994 - Dirigido por Ole Bornedal - Nota: 7.5 - Eficiente suspense do diretor Ole Bornedal, que pega bastantes influências do mestre Alfred Hitchcock. Este filme dinamarquês recebeu um remake três anos depois, dirigido pelo mesmo diretor e com elenco conhecido, como Ewan McGregor, Patricia Arquette, Josh Brolin, Nick Nolte e Brad Dourif, mas de uma qualidade inferior. Na trama, um jovem estudante de direito arruma um emprego em um necrotério e passa a tentar se adaptar no local tétrico, mas um psicopata está solto na cidade e começa a causar problemas. A utilização de Macguffins para desviar a atenção do espectador e a identidade misteriosa do assassino são características básicas de Hitchcock e estão presentes no filme de uma forma competente.


7) Não é mais uma história de amor (Kærlighed på film) - 2007 - Dirigido por Ole Bornedal - Nota: 9.0 - Olha o Ole Bornedal novamente! O diretor se inspirou no noir para construir a história deste filme e utilizou esse estilo habilmente, em uma obra que tem uma narrativa não-linear e montada de uma forma eficaz. Iniciado por três cenas intituladas "Cenas de amor 1, 2 e 3", mostra fatos que não tem nenhuma ligação, mas que no decorrer da trama serão explicados. Os diálogos são ótimos, intercalados por comentários do narrador, o personagem Jonas (Anders W. Berthelsen), um homem casado que trabalha como fotógrafo. Um dia ele se envolve em um acidente automobilístico que deixa uma vítima, a perturbada Julia (Rebecka Hemse), que acaba ficando sem memória depois do acidente. Quando vai visitá-la no hospital, ele é confundido com o namorado de Julia, Sebastian e resolve se passar por ele, terminando por nascer um romance entre Jonas e Julia. Mas tal fato claro que gerará confusões pela frente e pouco a pouco saberemos qual o motivo da perturbação de Julia e seu passado misterioso. Influências de Hitchcock também estão presentes aqui e podemos notar resquícios do já citado Nightwatch, como cenas em necrotérios e troca de identidades. O resultado é um filme de suspense com um romance cru e por que não realista, sem espaço para melosidades típicas de um filme de amor. Com certeza, um dos melhores do mês e deve ser conferido. Se serve de incentivo, o filme foi lançado em DVD no Brasil e receberá um remake em 2011, comandado pelo diretor Marc Webb, mesmo do sucesso 500 Dias com Ela.


8) Morrer ou Viver (Dead or Alive: Hanzaisha) - 1999 - Dirigido por Takashi Miike - Nota: 7.0 - Filmes do japonês maluco Takashi Miike não são comuns, obviamente. E isso também se aplica ao filme de ação Morrer ou Viver, primeiro de uma trilogia que tem diferentes narrativas em cada um. Aqui a ênfase é na ação, enquanto que no segundo filme se concentra mais no drama e o terceiro já apela, onde sua história se passa em um futuro distante. A história central desse primeiro volume é o envolvimento da polícia com a máfia Yakuza e contrabandistas tailandeses, mas durante a construção da trama, a bizarrice típica do diretor sempre aparece. O início do filme é insano, mostrando desde macarrão saindo da barriga de um homem após ser baleado até um drogado cheirando uma carreira imensa de cocaína. O final então, é um dos mais absurdos que se possa imaginar. Só vendo para crer. Apesar de todas essas loucuras, a trama do filme é construída de uma forma sóbria, com poucos momentos de insanidade. Quem não for acostumado com o cinema de Takashi Miike vai estranhar totalmente.



9) Franklyn (Idem) - 2008 - Dirigido por Richard McMorrow - Nota: 5.0 - Infelizmente, um filme que tem uma idéia interessante, mas conduzido de uma forma decepcionante. Misturando fantasia com realidade, tenta passar complexidade em seu roteiro, mas ao final parece bastante indigesto. Com um elenco composto por Eva Green, Ryan Phillippe, Sam Riley e Bernard Hill, possui quatro histórias que se conectam em determinado momento. A ambientação gótica de Meanwhile City, regida por fanáticos religiosos e a caracterização do personagem Jonathan Preest é muito boa, parecendo algo saído de Cidade das Sombras, de Alex Proyas. Se o filme fosse só uma fantasia concentrada nesse mundo, poderia resultar em um belo filme. Mas o diretor resolve fazer conexões com o mundo real e atrapalha tudo. Aliás, até hoje não consegui entender o porquê do título do filme ser Franklyn, já que o nome aparece em poucos momentos, sem maiores explicações. As histórias são desinteressantes, com exceção da já citada em Meanwhile City. Bernard Hill está muito bem, mas não consegue levar o filme sozinho. Visualmente é um primor, mas o roteiro é bastante pobre. Esperemos pelo próximo trabalho de Richard McMorrow. Quem sabe ele possa melhorar?



10) Get Thrashed: A História do Thrash Metal (Get Thrashed: The Story of Thrash Metal) - 2006 - Dirigido por Rick Ernst - Nota: 7.5 - Documentários sobre o mundo do Heavy Metal estão em alta no momento. E felizmente são elogiados pela crítica, como Some Kind of Monster, contando problemas internos do Metallica, Metal: A Headbanger's Journey, Global Metal e Flight 666, dirigidos por Sam Dunn, Anvil: The Story of Anvil, bastante elogiado contando a história da banda canadense e este Get Thrashed. Este documentário serve para contar a história de um dos subgêneros mais brutais e rápidos do Metal, o Thrash Metal. O diretor Rick Ernst se concentra mais nas bandas americanas do estilo, passando da Bay Area com bandas como Exodus, as eternas rivais Metallica e Megadeth até o Slayer e Anthrax. Depois concentra pouca atenção no Thrash Metal Germânico, falando somente do Kreator, apesar de conter participação de Tom Angelripper, vocalista do Sodom. Se tivesse uma duração maior, gostaria de ouvir histórias da já citada Sodom e também do Destruction que, juntas, formam a trinca do Thrash Metal alemão (Sem esquecer dos cervejeiros do Tankard, claro). É um documentário competente que faz um apanhado da história do Thrash Metal, falando até na queda do estilo nos anos 90, década do grunge, onde o Thrash Metal era representado apenas pelo Pantera. Fala também do surgimento do odiado Nü Metal, composto por bandas como Korn, Limp Bizkit e Linkin Park. O documentário foi ainda mais interessante porque fui ao show do Kreator e Exodus em Fortaleza, um evento inesquecível, pois foi o primeiro show internacional que presenciei. E as duas bandas citadas estão no documentário, como falei anteriormente. Para quem tiver curiosidade e for leigo sobre esse estilo tão multi-facetado que é o Metal, confiram esses documentários citados.



11) The Man From Earth (Idem) - 2007 - Dirigido por Richard Schenkman - Nota: 9.0 - Com um roteiro fantástico de Jerome Bixby, que contribuiu com episódios de Star Trek e The Twilight Zone, este filme independente dirigido por Richard Schenkman (Que, pasmem, dirigiu documentários sobre a Playboy) é uma ficção-científica completamente esquecida pelas premiações. Você encontra poucas informações sobre ele nos sites de cinema, o que é uma pena, dado que é um pequeno grande filme, sem apelar para nenhum efeito especial, utilizando-se apenas um cenário, bons diálogos e uma boa história. Na história, John Oldman (David Lee Smith), está prestes a se mudar, quando seus amigos professores resolvem fazer uma festinha de despedida. Depois de pedir demissão, misteriosamente, da universidade em que lecionava, John pretende ir embora para outro lugar. O motivo de sua mudança é revelado para os amigos: Ele diz ser um homem de 14000 anos de idade, passando por todos os momentos que vimos nos livros de História. No começo, acreditam ser apenas uma brincadeira intelectual histórica, mas com no decorrer de suas histórias, os amigos ficam consternados e passam a fazer perguntas para John, ao mesmo tempo que duvidam de tudo aquilo. O filme prende sua atenção, com todos os diálogos convincentes de Oldman, em um roteiro inteligente do falecido Bixby. Apenas o ator Tony Todd é mais conhecido, mais lembrado pelo filme de terror Candyman. Altamente recomendado para os fãs de ficção-científica e para os que gostam de apreciar um filme com poucos recursos, mas conduzido de uma forma inteligente.



12) Que o Céu nos Ajude (Religulous) - 2008 - Dirigido por Larry Charles - Nota: 7.5 - Antes de dirigir Brüno, o diretor Larry Charles comandou esse documentário que segue o mesmo estilo das obras com Sacha Baron Cohen, onde pessoas são confrontadas sobre assuntos difíceis de se falar abertamente e deixando-as encurraladas e embaraçadas com suas próprias respostas. No caso de Religulous (Trocadilho entre as palavras "Religion" e "Ridiculous"), o tema tratado, óbvio, é a religião e Bill Maher, do programa Real Time with Bill Maher, descrente assumido, passa a contestar os dogmas religiosos perante fanáticos, claro que de uma maneira menos escrachada que Borat ou Brüno. As religiões retratadas aqui são a católica, a protestante, a mórmon, o islamismo e fala um pouco sobre Cientologia também, sempre com comentários ácidos de Maher, assim como legendas que ridicularizam algumas situações. Os diálogos são interessantes e alguns geram riso, diante da ignorância e cegueira religiosa de alguns entrevistados. Engraçado quando Maher se depara com um padre rebelde na Itália, assim como um pastor questionado sobre todo o dinheiro que ele arrecada de seus fiéis e usa para comprar roupas caras, perguntas feitas na maior cara de pau por Maher. Em alguns momentos fica desinteressante, mas o resultado final é divertido. Alguns comentários do Maher retratam o que eu também penso sobre religiões e me identifiquei um pouco com o documentário.


13) Gamer (Idem) - 2009 - Dirigido por Mark Neveldine e Brian Taylor - Nota: 2.0 - O que acontece quando vimos um trailer, gostamos dele, verificamos a sinopse e nos agradou, mas quando vamos assistir ao filme, é algo completamente diferente do que pensávamos? Pode superar as expectativas ou simplesmente ser uma experiência terrível. Gamer se enquadra nesta última alternativa. Com seus 95 minutos de duração, torçemos para que tudo acabe logo diante de tanta tremedeira nas câmeras, situações bizarras de mau gosto, atuações fraquíssimas e cenas de ação confusas. O que dizer das cenas de tiroteio, onde o diretor parece estar com Mal de Parkinson? E aquela cena na rave, que mais parece uma cena piorada e mais bizarra de Irreversível (E eu gostei do filme do Gaspar Noé)? Michael C. Hall está completamente caricato neste filme, em uma atuação que fica anos-luz de distância das mostradas nas séries televisivas Dexter ou À Sete Palmos. Terry Crews só faz rosnar e fazer caretas e Gerard Butler também não ajuda. Possui pouquíssimas situações interessantes, como o conceito do jogo "Society", liderado por gamers pervertidos (Aquele gordo seboso é uma crítica ao vício exagerado em games, gerando sedentarismo), mas só isso mesmo. Talvez o pior filme do ano.



14) A Noite dos Mortos Vivos (The Night of the Living Dead) - 1968 - Dirigido por George Romero - Nota: 8.0 - Clássico filme de zumbis que iniciou todo um subgênero do terror e uma série que Romero viria a continuar até os dias de hoje. Filmado em preto e branco, o diretor contorna o baixo orçamento e nos presenteia com um filme ousado para a época, com violência gráfica (Apesar de mais inocente que a utilizada no filme Blood Feast, filme de Hershell Gordon Lewis, de 1963) e um final sem esperanças (O filme O Olho que Tudo Vê homenageia o desfecho do filme de Romero, apesar de não ser sobre zumbis). Não tinha visto ainda e gostei do resultado, mas o meu preferido ainda é Despertar dos Mortos. Recebeu também um remake na década de 1990 dirigido por Tom Savini e na versão em DVD que possuo também tem uma versão colorizada, que verei em breve.

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Ivan Reitman pode voltar a dirigir o terceiro filme dos Caça-Fantasmas

De acordo com uma notícia do site Bloody Disgusting e postada também no Omelete, o diretor Ivan Reitman, que dirigiu os dois Ghostbusters, talvez volte para dirigir a terceira parte em 2012. Tudo indica que só precisa de um consentimento do diretor para que o filme comece a tomar forma definitivamente. O roteiro será escrito por Lee Eisenberg e Gene Stupnitski, ambos responsáveis pelo roteiro do filme Year One, de Harold Ramis (Que interpretou o Egon Spengler) e de alguns episódios do The Office americano.

Na trama, algo que esperávamos para uma sequência onde os atores que interpretaram os protagonistas no passado já encontram-se velhos para esses papéis: Os cientistas reabrem o serviço de remoção de fantasmas e com isso pretendem conseguir e treinar uma nova equipe de caça-fantasmas, talvez bem mais jovens, algo que também aconteceu com Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, onde o papel do aventureiro Indy talvez fique com o Shia Labeouf em um futuro não muito distante (Espero que não invistam nessa idéia). A boa notícia é que todos os Ghostbusters originais (Harold Ramis, Dan Aykroyd, Bill Murray e Ernie Hudson) , assim como Sigourney Weaver e o sumido Rick Moranis prometem voltar para esse terceiro filme.

Enquanto o filme não tem maiores notícias, vou aproveitar para rever os dois primeiros. E fiquem abaixo com uma foto onde eu estou caracterizado como um caça-fantasma, juntamente com três amigos, tentando capturar o espírito de Heath Ledger, que continua abusando de drogas, bebendo muito aguardente e perturbado com seu penúltimo papel no cinema antes de morrer: O Curinga.

Esquerda (Tonioni e Lauro), Centro (Caetano) e Direita (Eu e Marcelo)

Sábado, Outubro 03, 2009

FILMES VISTOS EM SETEMBRO DE 2009 + SELO "BLOG DOURADO"

Atualizei muito pouco o blog nesse mês passado, resolvendo assuntos da formatura, mas em Outubro prometo postar com mais frequência. Como faço todo início de mês, segue abaixo a lista dos filmes que vi, com comentários breves dos que não tinha comentado aqui antes e o recebimento de mais um selo para estampar aqui no blog, o "Blog Dourado", onde o blogueiro Gabriel do Um Olhar além da tela me indicou. Agradeço mais uma vez e isso faz com que tenhamos ânimo para continuar escrevendo, pois sabemos que pessoas podem estar lendo e aprovando meus textos (Ou não, claro). O único filme com nota baixa do mês foi Crepúsculo, filme que de tanto falarem, acabei alugando para verificar e constatado o que já vinham me avisando antes. Vi um total de 13 filmes, bem distribuídos entre os gêneros. Vamos a eles:


1) Belíssima (Bellissima) - 1951 - Dirigido por Luchino Visconti - Nota 8.0/10.0: Segundo filme do Luchino Visconti que vi (O primeiro foi o já comentado por aqui, Rocco e seus irmãos), é uma obra menor do diretor, mas que não deixa de ser interessante, pois foi um dos filmes que romperam com o movimento neo-realista italiano. A história, que décadas mais tarde serviria de inspiração para Pequena Miss Sunshine, segue a mãe Maddalena Cecconi (Anna Magnani, em uma atuação memorável) que resolve inscrever sua filha Maria (Tina Apicella) em um concurso que escolherá uma atriz para um filme que será rodado em breve. A dedicação maternal para atingir o sonho de ter uma filha celebridade é imensa, gastando recursos sem poder e tentando obter a influência de envolvidos nos estúdios. Um dos primeiros filmes a revelar os bastidores podres da indústria das artes, juntamente com Crepúsculo dos Deuses e A Malvada, possui uma narrativa leve, sem muita melodramaticidade. O drama maior é da garotinha Maria, que odeia estar passando por tudo aquilo, toda aquela preparação para se tornar uma celebridade. Há uma participação do diretor Alessandro Blasetti no papel dele mesmo.

2) Up - Altas Aventuras (Up) - 2009 - Dirigido por Pete Docter e Bob Peterson - Nota 8.5/10.0

3) Faça o que eu digo, não faça o que eu faço (Role Models) - 2008 - Dirigido por David Wain - Nota 7.5/10.0: Com mais um título imbecil dado a um filme de comédia (Antes iria se chamar "Modelos nada corretos", mas decidiram lançar somente em DVD e mudaram o título para essa coisa), é mais um longa-metragem dessa boa safra da comédia americana, com Paul Rudd e Sean Willian Scott como protagonistas. Não é uma comédia para morrer de rir, mas é bastante divertida, com atuações também de Ken Jeong e Christopher Mintz-Plasse, o conhecido Mclovin de Superbad. As piadas envolvendo a banda Kiss e determinada parte do filme onde se fantasiam como seus ídolos é impagável. O ator Bobb'e J. Thompson foi um grande achado e o guri tem um futuro legal se continuar desse jeito. As partes referentes ao RPG em tempo real são meio chatinhas, mas o filme cumpre com o seu papel de fazer rir em algumas cenas.


4) Um Louco Apaixonado (How to Lose Friends & Allienate People) - 2008 - Dirigido por Robert B. Weide - Nota 7.5/10.0: Mais um da série "Títulos brasileiros mais rídiculos possíveis", o filme é inspirado na história do jornalista Toby Young, transformada em livro. Ele foi editor da revista Vanity Fair e o filme conta alguns detalhes de sua vida, mas de uma forma extremamente ficcionalizada. Tanto é que seu nome no filme é trocado para Sidney Young, interpretado pelo hilário Simon Pegg. Tem diálogos inspirados e bastante humor físico. Apesar de conter poucas verdades sobre a história real, o filme diverte e ri bastante com ele, principalmente por causa do Simon Pegg e suas palhaçadas. O elenco é bem conhecido, como Gillian Anderson, Thandie Newton, Jeff Bridges, Kirsten Dunst e Megan Fox. Inclusive ela interpreta Madre Teresa em um falso trailer que aparece na íntegra durante os créditos finais.


5) Crepúsculo (Twilight) - 2008 - Dirigido por Catherine Hardwicke - Nota 4.5/10.0: Eis que finalmente assisto à adaptação do livro de sucesso de Stephenie Meyer e é justamente aquilo mesmo: Um filme destinado ao seu público alvo (Adolescentes fãs da MTV ou mulheres que gostam de um filme de romance açucarado e bobo). O vampirismo é relegado para segundo plano e gasta muito tempo com romance teen. Até as cenas de ação são mal filmadas. Esperemos que Lua Nova seja um filme melhor. Crepúsculo não é essa bomba toda, mas não é o tipo de filme que me agrada.


6) Katyn (Idem) - 2007 - Dirigido por Andrzej Wajda - Nota 7.5/10.0: Indicado ao Oscar de Melhor filme estrangeiro em 2008, Katyn é dirigido pelo renomado diretor polonês Andrzej Wajda e conta a história sob o ponto de vista das esposas e familiares dos soldados que foram mortos no Massacre de Katyn, em 1940, ordenado pela União Soviética. A narrativa do filme é extremamente lenta e termina de uma forma forte, ao simular o massacre e os corpos nas valas sendo enterrados.


7) Rastros de Vingança (Red) - 2008 - Dirigido por Trygve Allister Diesen e Lucky Mckee - Nota 7.0/10.0: Baseado em uma história do escritor Jack Ketchum, Rastros de Vingança é um filme de vingança diferente. Seu protagonista é interpretado por Brian Cox (Segundo filme dele que vejo nesse mês, além de Contos do Dia das Bruxas), um velho solitário, cujo único companheiro é o cão Red. Em um determinado dia, o Sr. Ludlow sai para pescar com seu fiel amigo e é surpreendido por três jovens que inicialmente batem um papo com ele. Depois eles tentam roubar algo dele e, como não conseguem nada, um deles mata friamente o cãozinho com um tiro de espingarda. O Sr. Ludlow passa então a procurar a identidade do garoto assassino e quem é sua família, para tirar satisfações. Busca a atenção da mídia, mas tudo vai ficando cada vez mais tenso. O protagonista não busca sujar as mãos de sangue, quer apenas justiça, fator diferencial para o filme. O passado traumático do personagem é explicado e passamos a perceber que ele é uma pessoa bastante triste. A atuação do Brian Cox é um dos principais destaques. Perto do fim, o nível decai um pouco, parecendo um filme do Supercine, mas o resultado final é satisfatório.


8) Os Homens que não amavam as mulheres (Män som hatar kvinnor/The girl with the Dragon Tattoo) - 2009 - Dirigido por Niels Arden Oplev - Nota 7.5/10.0: Baseado no primeiro livro do romance de Stieg Larsson, que faleceu após completar a última parte da trilogia Millenium, a versão cinematográfica é bem fiel ao livro. Possui a maioria das passagens da obra, ocorrem diversas mudanças, algumas omissões, como quase todas as adaptações literárias, mas resultando em um filme de suspense bem conduzido. O livro é excelente e há algumas cenas mais tensas que perderam o impacto, mais precisamente perto do final. A atriz Noomi Rapace interpretou muito bem a personagem Lisbeth Salander, garota problemática que ajuda o jornalista Mikael Blomkvist em uma investigação intrigante. Já estão filmando as duas partes restantes: A Menina que brincava com fogo e A Rainha do Castelo de Ar. Faltou um pouco mais de ousadia, mas é um filme interessante. Sua longa duração não é nenhum empecilho.


9) Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums) - 2001 - Dirigido por Wes Anderson - Nota 8.5/10.0: Primeiro filme do diretor Wes Anderson que assisto, foi justamente o que dizem ser seu melhor trabalho. Sempre gosto de filmes com famílias disfuncionais e esse não foi exceção. A história é muito bem conduzida, com atuações excelentes e um texto muito esperto. A narrativa em forma de capítulos, lembrando um livro, é excelente. A apresentação dos personagens ao som de "Hey Jude" é magnífica. Um filme que merece ser conferido e revisto várias vezes.


10) Um Tiro na Noite (Blow-Out) - 1981 - Dirigido por Brian de Palma - Nota 8.0/10.0: Já tem um tempo que tenho esse filme na coleção, mas só fui conferir no final de Setembro. O filme é repleto de cenas que ficam na mente, como o acidente e toda sua preparação, com o técnico de efeitos sonoros Jack terry (John Travolta) captando sons para colocar em um filme de terror trash, a perseguição em pleno trânsito, o seu final simbólico e o vilão interpretado por John Lithgow. De Palma mostrou o porquê de ser considerado um dos maiores diretores vivos, com seu virtuosismo nas câmeras e seu talento para conduzir uma história. Não gostei da atuação da Nancy Allen. Achei ela bem fraquinha. As homenagens à Blow Up e Psicose são ótimas.

11) Contraponto (Tideland) - 2005 - Dirigido por Terry Gilliam - Nota 6.0/10.0: Tinha até uma certa expectativa nessa fantasia macabra do Terry Gilliam. Já ouvi até comentários de que o filme era um "Alice in Gilliamland", pois tem várias influências da clássica obra de Lewis Caroll, mas de uma forma envolvendo overdose por drogas, pedofilia e taxidermia em humanos. O filme é uma viagem lisérgica, contando a história da garotinha Jeliza-Rose (Em uma interpretação notável de Jodelle Ferland), filha de um rockeiro e uma viciada em drogas, interpretados por Jeff Bridges e Jennifer Tilly respectivamente. Após a morte deles dois, ela se entrega totalmente à insanidade, entrando em um mundo fantasioso juntamente com bizarros personagens, como um doente mental que acredita estar debaixo d'água e uma mulher com aparência de bruxa, que ficou cega de um olho por causa de uma ferroada de abelha. A trama então é basicamente essa e esperava alguma profundidade maior, não só 2 horas de pura loucura. Possui cenas interessantes, mas poderia ser melhor.

12) Arraste-me para o inferno (Drag me to Hell) - 2009 - Dirigido por Sam Raimi - Nota: 8.5

13) Contos do dia das Bruxas (Trick 'r Treat) - 2008 - Dirigido por Michael Dougherty - Nota: 8.0


SELO BLOG DOURADO

Indico então esse selo para 15 blogs. O procedimento é o mesmo: Os indicados devem postar o selo no blog e indicar mais 15 blogs:

1 - Blog do Vinícius
2 - Cinema - Filmes e Seriados
3 - A Grande Arte
4 - Cine Resenhas
5 - Cinema e Argumento
6 - Bit of Everything
7 - Letters from Louis
8 - Sobre Filmes e Cigarros
9 - Cinéfila por Natureza
10 - Cine JP
11 - Museu do Cinema
12 - Cinefilando
13 - Cinema em Casa
14 - Apaixonada por Cinema
15 - Fotograma Digital

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

CONTOS DO DIA DAS BRUXAS (TRICK 'R TREAT) - 2008

Diretor: Michael Dougherty

Elenco: Anna Paquin, Brian Cox, Leslie Bibb, Quinn Lord, Dylan Baker, Rochelle Aytes, Moneca Delain, Tahmoh Penikett, Britt McKillip, Christine Willes.

Mais um filme de terror recente que tenta ilustrar esse sentimento saudosista dos anos 80, como também demonstrado na postagem anterior. Este filme que irei comentar nesse post tem uma história peculiar. Previsto para ser lançado em 2007, sofreu diversos atrasos, algo na maioria das vezes nada positivo para um longa-metragem. Depois de ter seu lançamento relegado à DVD e Blu-ray nos EUA somente agora, em 2009, sem exibição nos cinemas, foi mais um motivo para não criarmos nenhuma expectativa e aguardarmos pelo pior. Felizmente o resultado foi o inverso e Trick'r Treat se mostrou uma obra original e de uma qualidade ímpar, talvez podendo se tornar em um futuro não tão distante um filme cult e representante digno da data comemorativa tão esperada e aproveitada pelos americanos: O Halloween ou Dia das Bruxas, aqui no Brasil.

Produzido por Bryan Singer e dirigido por Michael Dougherty, baseado em seu curta-metragem Season's Greetings, de 1996, é um filme de 82 minutos que contém quatro histórias interligadas entre si, todas passadas durante o Halloween e todo aquele clima de abóboras acesas, fantasias, gostosuras e travessuras. Sua narrativa não é linear, indo e voltando no tempo para fechar o arco de seus personagens, cada um mais bizarro que o outro. Além disso, estes contos do dia das bruxas, título dado ao filme aqui no Brasil, são contados como se estivéssemos lendo uma história em quadrinhos.

Como já mencionado, quatro histórias se entrelaçam. Steven Wilkins (Dylan Baker) é um diretor de colégio aparentemente pacato, mas aproveita a época do Halloween para revelar sua identidade de serial killer, ao matar crianças com chocolates envenenados. Laurie (Anna Paquin) é uma garota virgem e inocente que anda com uma turma de mulheres peitudas e doidas por sexo: Sua irmã Danielle (Lauren Lee Smith), Maria (Rochelle Aytes) e Janet (Moneca Delain). Elas aproveitam a época para iniciar o rito sexual de Laurie, onde esta se fantasia de chapeuzinho vermelho e tenta encontrar seu lobo mau naquela noite. O Sr. Kreeg (Brian Cox) é um homem solitário que vive apenas com seu cão (Papel mais ou menos semelhante ao de Rastros de Vingança), tendo como vizinho o diretor Wilkins. Naquela noite, ele será perturbado por uma estranha criatura que tem um objetivo específico. E por último, um grupo de crianças que vão verificar o local de um acidente horrendo que ocorreu anteriormente com doentes mentais em um ônibus escolar. Tentam praticar um trote com uma das crianças do grupo, mas acabam mexendo com algo que não deviam.

O filme tem todo esse tom irreverente de um Contos da Cripta, mas com uma produção de primeira qualidade. O humor negro funciona, principalmente na história do diretor Wilkins e aproveita essa data comemorativa para mostrar acontecimentos de real terror para os personagens, ocorridos de uma forma despercebida pelos não-envolvidos. Não tem espaço para desenvolvimento dos personagens, devido a sua curta duração e ao propósito simples de apenas divertir e isso ele consegue com louvor. Os atores estiveram bem, já que não eram muito cobrados nesse aspecto e merece destaque o ator Brian Cox, com talvez a história mais divertida. Anna Paquin aparece muito pouco e não podemos dizer nada a respeito de sua interpretação, mas o desfecho do conto envolvendo ela é impagável, embalado com a música Sweet Dreams, do Marylin Manson. Em determinadas cenas lembra até seu papel por Sookie Stackhouse na primeira temporada de True Blood, principalmente em determinado momento quando aparece um estranho homem mascarado. Vale lembrar também as participações de dois atores da extinta série Dead Like Me, criada por Bryan Fuller: Britt McKillip, a Reggie do seriado, que aqui interpreta uma das garotas do grupo no local do acidente e Christine Willes, a chata Delores Herbig na série e que aqui tem apenas uma ponta.

Os créditos iniciais merecem atenção também, apresentando seus personagens de uma maneira rápida em formato de HQ, tendo um resultado final muito bem feito. O gore do filme é comportado, aparecendo em poucas cenas, utilizado de uma maneira competente. Michael Dougherty também foi responsável pelo roteiro do mediano Superman: O Retorno e de X-Men 2, ambos de Bryan Singer, explicando a produção deste no debut do diretor dessa película.

Contos do Dia das Bruxas será lançado em DVD aqui no Brasil no dia 22 de Outubro, em um lançamento extremamente rápido se comparado com os Estados Unidos, distribuído pela Warner. É um filme que sofreu um atraso de dois anos para ser lançado, mas é extremamente divertido, produzido com um grande cuidado e suas quatro histórias são ligadas de uma forma competente. Diferente de um Creepshow ou o já citado Contos da Cripta, as histórias desse filme possuem algo em comum, não sendo independentes, todas aliadas ao clima terrorífico e divertido ao mesmo tempo do Halloween. Merece uma conferida e esperemos pelos outros trabalhos do Michael Dougherty.

Nota: 8.0/10.0

Terça-feira, Setembro 29, 2009

ARRASTE-ME PARA O INFERNO (DRAG ME TO HELL) - 2009


Diretor: Sam Raimi

Elenco: Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, Dileep Rao, David Paymer, Adriana Barraza, Chelcie Ross, Reggie Lee.

É muito bom quando surge um filme de terror em 2009 que emula toda a sensação daqueles filmes oitentistas do gênero, repleto de escatologias, humor negro e bons sustos. E melhor ainda quando um diretor resolve dar um tempo nas superproduções para toda a família e investe em um longa-metragem que possui todas as características de seus primeiros trabalhos. O diretor? Sam Raimi, responsável pela trilogia cult Evil Dead (A Morte do Demônio, Uma Noite Alucinante 2 e Uma Noite Alucinante 3) concebida no início de sua carreira cinematográfica e que hoje em dia comanda blockbusters como os filmes do Homem-Aranha. O filme? Arraste-me para o inferno.

O resultado de tal esforço foi um enorme sucesso, tanto de crítica quanto de público e possibilitou criar boas expectativas para o remake de seu debut, intitulado simplesmente de The Evil Dead, previsto para 2010. E esse novo trabalho de Raimi ainda contém homenagens interessantes a essa clássica trilogia, como o veículo Oldsmobile Delta 88 do personagem Ash, imortalizado por Bruce Campbell ou os próprios ângulos de câmera em primeira pessoa, seguindo os personagens, aliados com o barulho do vento, algo bastante visto em A Morte do Demônio. Sem contar o antigo logo da Universal, dos anos 80, que introduz o filme e a frase "Visite os estúdios da Universal" que aparece após os créditos finais e também estava presente nos filmes daquela época.

O roteiro, escrito por Sam e seu irmão Ivan Raimi, após o término de Uma Noite Alucinante 3, em 1992, foi deixado de lado enquanto o diretor acumulava alguns outros projetos. Só 17 anos mais tarde é que finalmente sairia do papel e tomaria forma. A história lembra um pouco a de Thinner, obra de horror de Stephen King (Adaptada para o cinema por Tom Holland em 1996, com o título brasileiro A Maldição) onde o personagem principal, um advogado obeso, é amaldiçoado por uma cigana após um incidente envolvendo ela, fazendo com que o protagonista emagreça de pouco a pouco. Muda-se o sexo da vítima, a magia negra, adiciona algumas pitadas de humor negro e exagero e chegamos à Arraste-me para o inferno.

Na trama, Christine Brown (Alison Lohman) é uma garota interiorana que trabalha em um banco de crédito, disposta a ocupar a vaga de vice-diretora. O problema é que em ambiente de trabalho sempre gera competição e o bajulador Stu Rubin (Reggie Lee) também quer a todo custo ascender de cargo. O patrão deles, Jim Jacks (David Paymer), quer nomear alguém que possa tomar decisões imediatas e a disputa fica acirrada entre os dois funcionários. Eis que chega no banco uma senhora, chamada Sylvia Ganush (Lorna Raver), uma cigana que não está pagando a hipoteca e pede mais um empréstimo, a fim de prorrogar o prazo de pagamento mais uma vez, senão será despejada de sua casa caso não pague novamente. Christine quer ajudar, mas também tem que dar um não como resposta. Implorando à moça, Ganush é humilhada e diz que Christine vai morrer.
Ganush então joga uma maldição poderosa em cima de Christine, onde dentro de três dias será atormentada por espíritos malignos e ao final do prazo, um demônio chamado Lâmia irá aparecer e, literalmente, arrastar a moça para as profundezas do inferno. A consequência dessa maldição é mostrada logo no início do filme, antes dos créditos (Que por sinal são muito legais), onde um garoto tem seu fim trágico nas mãos de Lâmia.

No decorrer da trama, a pacata vida de Christine é transformada em um pandemônio. Sua chance de se promover no trabalho vai ficando cada vez mais distante e procura apoio no namorado psicólogo Clay Dalton (Justin Long) e no médium Rham Jas (Dileep Rao). As situações que a Christine passa são absurdas e nojentas, para diversão dos fãs de terror. Gosmas, jatos de sangue e sustos não faltarão. Claro que não é algo visto em A Morte do Demônio, pois o filme tem uma censura PG-13 nos EUA e 14 anos no Brasil, mas dá para o gasto, utilizando sabiamente os efeitos especiais e a maquiagem, esta sob o comando do especialista Gregory Nicotero.

A trilha sonora de Christopher Young também é muito boa, dando ênfase ao suspense encontrado no filme. As atuações são corretas, com destaque para Lorna Raver, que interpreta a velha asquerosa que atormenta Christine. A bela Alison Lohman também não atrapalha e Justin Long não convence muito no papel de um sujeito sério e maduro, mas também está bem. O humor é bem presente, em cenas inspiradas. O final, apesar de previsível, é corajoso e muito bem elaborado. Determinada cena envolvendo um bode, embora seja bem mais cômica, me lembrou do excelente O Dia da Besta, de Aléx de la Iglesia, já comentado aqui.

Arraste-me para o inferno é um filme divertidíssimo e mostra que Sam Raimi ainda está em boa forma para comandar um filme de terror. Você irá rir, sentir repulsa e tomar alguns sustos durante os 98 minutos de duração, algo completamente recompensador. Que o diretor nos entregue mais obras desse tipo nos próximos anos, alternando entre blockbusters e esses filmes mais despretensiosos

Nota: 8.5/10.0

Sábado, Setembro 12, 2009

UP: ALTAS AVENTURAS (UP) - 2009

Diretores: Pete Docter e Bob Peterson

Vozes de Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, Jerome Ranft, John Ratzenberger (Dublagem original)

A Pixar ganha as atenções de todos mais uma vez, produzindo mais uma animação de alto nível, em uma trajetória onde a cada ano que passa tenta superar a qualidade de seus trabalhos anteriores. O estúdio vem cada vez mais investindo em animações com tons adultos, mas que também encantam as crianças e Up não fica de fora desse contexto. Com um protagonista idoso, mas possuindo um espírito aventureiro de uma criança, apesar de todas as adversidades físicas e psicólogicas que ele sofre, Carl Fredricksen (Dublado originalmente por Edward Asner, mas na versão brasileira tem a voz de ninguém mais, ninguém menos que Chico Anysio) é um personagem que já pode figurar na lista dos mais carismáticos e complexos da Pixar. A animação sabe dosar na quantidade certa o drama, a comédia e a aventura, cativando os espectadores de qualquer idade.

E, como costume sempre presente nas obras da Pixar, o trabalho principal é precedido por um curta de animação. Parcialmente Nublado (Partly Cloudy), dirigido por Peter Sohn, é o curta-metragem da vez, tendo um resultado altamente satisfatório. Sabe aquela história que os pais inventam para tentar explicar as suas crianças como surgem os bebês, tendo uma participação das cegonhas nessa origem misteriosa? É a partir desse questionamento que Sohn resolveu iniciar na direção de uma animação, mostrando que os criadores das espécies são nuvens e as cegonhas apenas se encarregam de transportar os filhotes para seu destino. É um trabalho bastante divertido e bem feito, servindo de pontapé inicial para entrarmos no clima do filme Up.

Os diretores Pete Docter e Bob Peterson já iniciam esta obra de uma forma majestosa, cujos 10 primeiros minutos servem para que conheçamos a trajetória da vida de Carl Fredricksen, de sua infância sonhadora, passando pela descoberta do amor e chegando até à terceira idade. Nesse pequeno espaço de tempo, os diretores já conseguem nos fazer rir e emocionar, com quase uma ausência de palavras, utilizando apenas a fluência da animação, os gestos realistas dos seus personagens e a trilha-sonora magnífica do compositor Michael Giacchino. Um início digno de aplausos e com certeza um dos maiores destaques dessa animação.

Passamos então para os dias atuais, onde Fredricksen, um vendedor de balões, é um senhor solitário, após a perda de sua querida esposa Ellie. Ele é um velhinho rabugento e anti-social, destinado a lutar com todas as suas forças contra uma empreiteira que ameaça derrubar sua casa a fim de finalizar uma construção. Ellie falecera sem antes realizar seu grande sonho: Visitar a Terra das Cachoeiras, na América do Sul e, se possível, construir sua casinha no topo da montanha, vizinha às quedas d'água. Cansado daquela rotina amarga e não querendo definhar em um asilo, resolve resgatar seu espírito aventureiro da infância e enche sua casa de balões, erguendo-a para os céus. Para sua surpresa, ele não contava que viajaria acompanhado. O garotinho escoteiro Russell (Jordan Nagai) anseia ganhar mais uma medalha por boas ações, desta vez por ajudar um idoso e, na hora que a casa de Carl estava começando a voar, ele estava na varanda, seguindo viagem também com o mal-humorado velhinho.


O tom mais sério e realista é então jogado de lado, dando espaço para a aventura e a comédia, onde Carl e Russell irão se deparar com novos personagens, como uma enorme ave rara e um cachorro falante, chamado Dug (Dublado pelo diretor Bob Peterson), além de outros desafios. Os animadores da Pixar estão cada vez mais experientes, gerando uma animação irretocável nos aspectos técnicos. Os movimentos dos personagens são espontâneos e muito parecidos com a vida real, em um trabalho excepcional.

Up, no entanto, possui pequenos defeitos. O maior deles talvez seja a tentativa dos seus realizadores em incluir um vilão durante a trajetória de Carl, caindo o nível um pouco, tendo um objetivo maior de agradar os pequenos. A história comovente e motivadora de Fredricksen, um senhor cujos sinais da idade são aparentes, mas mesmo assim ainda reúne forças para tentar realizar seu sonho e de sua falecida esposa, é atrapalhada quando incluem um antagonista com seus ajudantes, criando mais obstáculos para o protagonista. A inclusão visa a deixar a história menos pesarosa e mais agradável para as crianças, mas as barreiras naturais já são bastante dificultosas para Carl, imagine então quando cães "falantes" resolvem perseguir o velhinho, por um motivo insignificante em relação à história principal? Por isso que disse que o ritmo, apesar de movimentado da metade para o fim, não se iguala ao excelente início. É algo muito exagerado diante de uma história pessoal do personagem tão realista, destoando um pouco.

A relação construída entre Carl e Russell, no entanto, é admirável durante o decorrer da animação. O garoto é um espelho da infância, sempre curioso e vivaz, enquanto Fredricksen não tem paciência, mas terá que arranjar um pouco para aguentar esse estranho menino durante a jornada. Up é embalado ainda por uma trilha-sonora que talvez esteja entre as melhores do ano e com certeza gostaria de vê-la premiada na próxima edição do Oscar: Michael Giacchino fez mais uma vez um trabalho de respeito e talvez seja sua melhor trilha-sonora até então. A dublagem brasileira também está de parabéns e não é toda vida que podemos assistir a uma animação cujo personagem principal é dublado pelo ícone Chico Anysio.

Up - Altas Aventuras é mais uma animação de extrema qualidade desse estúdio genial chamado Pixar, digna de entrar na lista das melhores animações desse departamento e de todo o gênero. Primeira incursão do estúdio na nova tecnologia 3D, é uma obra que não se utiliza muito dessa técnica, podendo ser plenamente aproveitada também na sua versão normal, mas é o início ainda e esperemos que seja possível ver no futuro essa técnica integralmente utilizada (Toy Story 1 e 2 serão relançadas nos cinemas em versões 3D, assim como a terceira parte, todas previstas para 2010). É um trabalho que nos faz refletir sobre a chegada da terceira idade, da aproximação da morte, da realização de um sonho e antes de tudo, é uma história de superação, mas, mesmo com temas adultos, possui um aspecto infantil irresistível. Apesar de achar ainda Wall-E levemente superior, Up é uma animação imperdível.

Nota: 8.5/10.0