LISTA DE FILMES VISTOS EM OUTUBRO DE 2009
Depois de quase um mês sem postar aqui no blog, podendo dizer que tirei férias nas postagens, volto para postar a lista mensal dos filmes vistos. Estava sem criatividade para postar sobre os filmes que vi e sem muita empolgação, principalmente por causa da correria causada pelas solenidades finais de minha formatura. Só criei dois posts no mês passado, para se ter uma idéia. Mas agora vou tentar voltar à normalidade, postando frequentemente e desculpem a minha ausência. Vi 14 filmes, a maioria de excelente qualidade, de procedência estrangeira ou desconhecidos filmes americanos. No entanto, vi talvez o pior filme do ano até então: Gamer. Queria poder escrever sobre eles mais detalhadamente, mas como não foi possível, fiz breves comentários sobre cada. Vamos à lista:

1) Loft (Idem) - 2008 - Dirigido por Erik Van Looy - Nota: 8.5 - Do mesmo diretor do excelente Alzheimer Case, este filme belga é outro suspense muito bem construído por Erik Van Looy. Com uma história simples, o diretor vai criando sua trama com habilidade, até o seu final repleto de reviravoltas. A forma como o filme é construído lembra um pouco Os Suspeitos, de Bryan Singer, em que 5 amigos, casados e bem sucedidos, resolvem frequentar um loft, propriedade de um deles, onde poderão dar suas escapadelas e levar suas amantes até o local, tudo discretamente. O problema aparece quando, numa certa noite, o corpo de uma mulher aparece na cama, todo ensanguentado e sem vida. A partir daí, os amigos tentam descobrir, assim como o espectador, quem matou aquela pessoa, mostrando flashbacks de fatos que levaram àquela situação trágica. As atuações estavam ótimas, de todos eles e vale destacar dois atores que também estiveram no filme anterior do diretor: Koen De Bouw e Jan Decleir. A trilha sonora é outro fator a se destacar, típica de um belo suspense. Fiquem de olho nesse diretor! Seu próximo trabalho será no roteiro do filme Dossier K., outro que aguardo ansiosamente.
2) Comando Final (Saat Po Lang) - 2005 - Dirigido por Wilson Yip - Nota: 8.0 - Antes de comandar o ótimo Flashpoint, em 2007 e a história do mestre de Bruce Lee Ip Man, em 2008 (Que receberá uma sequência em 2010), o diretor chinês Wilson Yip tinha conduzido este grande filme de ação Comando Final, com uma reunião de grandes atores de filmes de ação chineses, como Donnie Yen, colaborador fiel do diretor, Simon Yan e Sammo Hung, numa trama que envolve a luta incessante contra o crime e a consequência deste ato. O filme não tem muitas lutas, mas as que existem nele são impressionantes. Uma cena excelente é quando um policial é surpreendido por um misterioso assassino que é expert em armas brancas. O ambiente, que antes estava repleto de pessoas, vai aos poucos ficando vazio e só restam o policial sem sorte e o tal assassino, resultando em uma cena brutal, tamanha a violência, mas que fica em nossa memória. Um dos melhores filmes de ação orientais que vi nos últimos anos.
3) Passageiros (Passengers) - 2008 - Dirigido por Rodrigo García - Nota: 5.0 - Se tem uma coisa que atrapalha totalmente este filme de Rodrigo García, filho do renomado escritor Gabriel García Márquez, é o seu trailer. Caso tenha vontade de ver esse filme, não veja o trailer dele, pois possui um spoiler que já mata a charada sobre a revelação final. Mesmo que não veja, ainda assim com 40 minutos de filme você já consegue saber o que o diretor guarda para a tal revelação "surpreendente". Aliás, pelo próprio acontecimento inicial já dá para saber o final. O maior pecado do filme é justamente a sua previsibilidade, em uma obra que assistimos e 15 minutos depois já a esquecemos. A trama se desenrola praticamente como um romance e quando tenta injetar suspense, já é tarde demais para ganhar o interesse do espectador. Nem Anne Hathaway salva o filme de se tornar desinteressante.

4) Intrigas de Estado (State of Play) - 2009 - Dirigido por Kevin Macdonald - Nota: 8.0 - O diretor Kevin Macdonald, mesmo de O Último Rei da Escócia, se baseou em uma mini-série da BBC para construir o seu novo longa-metragem. Com um elenco composto por Russell Crowe, Rachel McAdams, Ben Affleck, Helen Mirren, Jason Bateman e Jeff Daniels, é um thriller político bastante eficiente que faz lembrar um pouco o clássico Todos os Homens do Presidente, por causa dos esforços de jornalistas em desvendar um escândalo no congresso. Tem um bom ritmo, boas atuações e prende a nossa atenção, características bastante positivas e que me deixaram interessado na mini-série inglesa, com também um elenco respeitável, como David Morrissey, James McAvoy, Bill Nighy e Kelly MacDonald.

5) A Primeira Noite de um Homem (The Graduate) - 1967 - Dirigido por Mike Nichols - Nota: 8.0 - Só agora pude assistir a este clássico filme de Mike Nichols, cujo pôster é facilmente reconhecível e marcou época, com uma atuação inspirada de Dustin Hoffman, no auge de sua carreira. Os ângulos de câmera ousados, a trilha sonora composta por Simon & Garfunkel e a leveza com que é conduzida a trama, dividida em duas partes (Envolvimento do jovem Ben Braddock com a coroa Mrs. Robinson e depois a paixão do rapaz pela filha da personagem de Anne Brancroft) são motivos para reconhecermos que trata-se de um filme de grande força. Uma comédia romântica que seria imitada à exaustão nos anos posteriores.

6) Nightwatch: Perigo na Noite (Nattevagten) - 1994 - Dirigido por Ole Bornedal - Nota: 7.5 - Eficiente suspense do diretor Ole Bornedal, que pega bastantes influências do mestre Alfred Hitchcock. Este filme dinamarquês recebeu um remake três anos depois, dirigido pelo mesmo diretor e com elenco conhecido, como Ewan McGregor, Patricia Arquette, Josh Brolin, Nick Nolte e Brad Dourif, mas de uma qualidade inferior. Na trama, um jovem estudante de direito arruma um emprego em um necrotério e passa a tentar se adaptar no local tétrico, mas um psicopata está solto na cidade e começa a causar problemas. A utilização de Macguffins para desviar a atenção do espectador e a identidade misteriosa do assassino são características básicas de Hitchcock e estão presentes no filme de uma forma competente.

7) Não é mais uma história de amor (Kærlighed på film) - 2007 - Dirigido por Ole Bornedal - Nota: 9.0 - Olha o Ole Bornedal novamente! O diretor se inspirou no noir para construir a história deste filme e utilizou esse estilo habilmente, em uma obra que tem uma narrativa não-linear e montada de uma forma eficaz. Iniciado por três cenas intituladas "Cenas de amor 1, 2 e 3", mostra fatos que não tem nenhuma ligação, mas que no decorrer da trama serão explicados. Os diálogos são ótimos, intercalados por comentários do narrador, o personagem Jonas (Anders W. Berthelsen), um homem casado que trabalha como fotógrafo. Um dia ele se envolve em um acidente automobilístico que deixa uma vítima, a perturbada Julia (Rebecka Hemse), que acaba ficando sem memória depois do acidente. Quando vai visitá-la no hospital, ele é confundido com o namorado de Julia, Sebastian e resolve se passar por ele, terminando por nascer um romance entre Jonas e Julia. Mas tal fato claro que gerará confusões pela frente e pouco a pouco saberemos qual o motivo da perturbação de Julia e seu passado misterioso. Influências de Hitchcock também estão presentes aqui e podemos notar resquícios do já citado Nightwatch, como cenas em necrotérios e troca de identidades. O resultado é um filme de suspense com um romance cru e por que não realista, sem espaço para melosidades típicas de um filme de amor. Com certeza, um dos melhores do mês e deve ser conferido. Se serve de incentivo, o filme foi lançado em DVD no Brasil e receberá um remake em 2011, comandado pelo diretor Marc Webb, mesmo do sucesso 500 Dias com Ela.

8) Morrer ou Viver (Dead or Alive: Hanzaisha) - 1999 - Dirigido por Takashi Miike - Nota: 7.0 - Filmes do japonês maluco Takashi Miike não são comuns, obviamente. E isso também se aplica ao filme de ação Morrer ou Viver, primeiro de uma trilogia que tem diferentes narrativas em cada um. Aqui a ênfase é na ação, enquanto que no segundo filme se concentra mais no drama e o terceiro já apela, onde sua história se passa em um futuro distante. A história central desse primeiro volume é o envolvimento da polícia com a máfia Yakuza e contrabandistas tailandeses, mas durante a construção da trama, a bizarrice típica do diretor sempre aparece. O início do filme é insano, mostrando desde macarrão saindo da barriga de um homem após ser baleado até um drogado cheirando uma carreira imensa de cocaína. O final então, é um dos mais absurdos que se possa imaginar. Só vendo para crer. Apesar de todas essas loucuras, a trama do filme é construída de uma forma sóbria, com poucos momentos de insanidade. Quem não for acostumado com o cinema de Takashi Miike vai estranhar totalmente.

9) Franklyn (Idem) - 2008 - Dirigido por Richard McMorrow - Nota: 5.0 - Infelizmente, um filme que tem uma idéia interessante, mas conduzido de uma forma decepcionante. Misturando fantasia com realidade, tenta passar complexidade em seu roteiro, mas ao final parece bastante indigesto. Com um elenco composto por Eva Green, Ryan Phillippe, Sam Riley e Bernard Hill, possui quatro histórias que se conectam em determinado momento. A ambientação gótica de Meanwhile City, regida por fanáticos religiosos e a caracterização do personagem Jonathan Preest é muito boa, parecendo algo saído de Cidade das Sombras, de Alex Proyas. Se o filme fosse só uma fantasia concentrada nesse mundo, poderia resultar em um belo filme. Mas o diretor resolve fazer conexões com o mundo real e atrapalha tudo. Aliás, até hoje não consegui entender o porquê do título do filme ser Franklyn, já que o nome aparece em poucos momentos, sem maiores explicações. As histórias são desinteressantes, com exceção da já citada em Meanwhile City. Bernard Hill está muito bem, mas não consegue levar o filme sozinho. Visualmente é um primor, mas o roteiro é bastante pobre. Esperemos pelo próximo trabalho de Richard McMorrow. Quem sabe ele possa melhorar?

10) Get Thrashed: A História do Thrash Metal (Get Thrashed: The Story of Thrash Metal) - 2006 - Dirigido por Rick Ernst - Nota: 7.5 - Documentários sobre o mundo do Heavy Metal estão em alta no momento. E felizmente são elogiados pela crítica, como Some Kind of Monster, contando problemas internos do Metallica, Metal: A Headbanger's Journey, Global Metal e Flight 666, dirigidos por Sam Dunn, Anvil: The Story of Anvil, bastante elogiado contando a história da banda canadense e este Get Thrashed. Este documentário serve para contar a história de um dos subgêneros mais brutais e rápidos do Metal, o Thrash Metal. O diretor Rick Ernst se concentra mais nas bandas americanas do estilo, passando da Bay Area com bandas como Exodus, as eternas rivais Metallica e Megadeth até o Slayer e Anthrax. Depois concentra pouca atenção no Thrash Metal Germânico, falando somente do Kreator, apesar de conter participação de Tom Angelripper, vocalista do Sodom. Se tivesse uma duração maior, gostaria de ouvir histórias da já citada Sodom e também do Destruction que, juntas, formam a trinca do Thrash Metal alemão (Sem esquecer dos cervejeiros do Tankard, claro). É um documentário competente que faz um apanhado da história do Thrash Metal, falando até na queda do estilo nos anos 90, década do grunge, onde o Thrash Metal era representado apenas pelo Pantera. Fala também do surgimento do odiado Nü Metal, composto por bandas como Korn, Limp Bizkit e Linkin Park. O documentário foi ainda mais interessante porque fui ao show do Kreator e Exodus em Fortaleza, um evento inesquecível, pois foi o primeiro show internacional que presenciei. E as duas bandas citadas estão no documentário, como falei anteriormente. Para quem tiver curiosidade e for leigo sobre esse estilo tão multi-facetado que é o Metal, confiram esses documentários citados.
11) The Man From Earth (Idem) - 2007 - Dirigido por Richard Schenkman - Nota: 9.0 - Com um roteiro fantástico de Jerome Bixby, que contribuiu com episódios de Star Trek e The Twilight Zone, este filme independente dirigido por Richard Schenkman (Que, pasmem, dirigiu documentários sobre a Playboy) é uma ficção-científica completamente esquecida pelas premiações. Você encontra poucas informações sobre ele nos sites de cinema, o que é uma pena, dado que é um pequeno grande filme, sem apelar para nenhum efeito especial, utilizando-se apenas um cenário, bons diálogos e uma boa história. Na história, John Oldman (David Lee Smith), está prestes a se mudar, quando seus amigos professores resolvem fazer uma festinha de despedida. Depois de pedir demissão, misteriosamente, da universidade em que lecionava, John pretende ir embora para outro lugar. O motivo de sua mudança é revelado para os amigos: Ele diz ser um homem de 14000 anos de idade, passando por todos os momentos que vimos nos livros de História. No começo, acreditam ser apenas uma brincadeira intelectual histórica, mas com no decorrer de suas histórias, os amigos ficam consternados e passam a fazer perguntas para John, ao mesmo tempo que duvidam de tudo aquilo. O filme prende sua atenção, com todos os diálogos convincentes de Oldman, em um roteiro inteligente do falecido Bixby. Apenas o ator Tony Todd é mais conhecido, mais lembrado pelo filme de terror Candyman. Altamente recomendado para os fãs de ficção-científica e para os que gostam de apreciar um filme com poucos recursos, mas conduzido de uma forma inteligente.
12) Que o Céu nos Ajude (Religulous) - 2008 - Dirigido por Larry Charles - Nota: 7.5 - Antes de dirigir Brüno, o diretor Larry Charles comandou esse documentário que segue o mesmo estilo das obras com Sacha Baron Cohen, onde pessoas são confrontadas sobre assuntos difíceis de se falar abertamente e deixando-as encurraladas e embaraçadas com suas próprias respostas. No caso de Religulous (Trocadilho entre as palavras "Religion" e "Ridiculous"), o tema tratado, óbvio, é a religião e Bill Maher, do programa Real Time with Bill Maher, descrente assumido, passa a contestar os dogmas religiosos perante fanáticos, claro que de uma maneira menos escrachada que Borat ou Brüno. As religiões retratadas aqui são a católica, a protestante, a mórmon, o islamismo e fala um pouco sobre Cientologia também, sempre com comentários ácidos de Maher, assim como legendas que ridicularizam algumas situações. Os diálogos são interessantes e alguns geram riso, diante da ignorância e cegueira religiosa de alguns entrevistados. Engraçado quando Maher se depara com um padre rebelde na Itália, assim como um pastor questionado sobre todo o dinheiro que ele arrecada de seus fiéis e usa para comprar roupas caras, perguntas feitas na maior cara de pau por Maher. Em alguns momentos fica desinteressante, mas o resultado final é divertido. Alguns comentários do Maher retratam o que eu também penso sobre religiões e me identifiquei um pouco com o documentário.
13) Gamer (Idem) - 2009 - Dirigido por Mark Neveldine e Brian Taylor - Nota: 2.0 - O que acontece quando vimos um trailer, gostamos dele, verificamos a sinopse e nos agradou, mas quando vamos assistir ao filme, é algo completamente diferente do que pensávamos? Pode superar as expectativas ou simplesmente ser uma experiência terrível.
Gamer se enquadra nesta última alternativa. Com seus 95 minutos de duração, torçemos para que tudo acabe logo diante de tanta tremedeira nas câmeras, situações bizarras de mau gosto, atuações fraquíssimas e cenas de ação confusas. O que dizer das cenas de tiroteio, onde o diretor parece estar com Mal de Parkinson? E aquela cena na rave, que mais parece uma cena piorada e mais bizarra de
Irreversível (E eu gostei do filme do Gaspar Noé)? Michael C. Hall está completamente caricato neste filme, em uma atuação que fica anos-luz de distância das mostradas nas séries televisivas
Dexter ou
À Sete Palmos. Terry Crews só faz rosnar e fazer caretas e Gerard Butler também não ajuda. Possui pouquíssimas situações interessantes, como o conceito do jogo "Society", liderado por gamers pervertidos (Aquele gordo seboso é uma crítica ao vício exagerado em games, gerando sedentarismo), mas só isso mesmo. Talvez o pior filme do ano.
14) A Noite dos Mortos Vivos (The Night of the Living Dead) - 1968 - Dirigido por George Romero - Nota: 8.0 - Clássico filme de zumbis que iniciou todo um subgênero do terror e uma série que Romero viria a continuar até os dias de hoje. Filmado em preto e branco, o diretor contorna o baixo orçamento e nos presenteia com um filme ousado para a época, com violência gráfica (Apesar de mais inocente que a utilizada no filme
Blood Feast, filme de Hershell Gordon Lewis, de 1963) e um final sem esperanças (O filme
O Olho que Tudo Vê homenageia o desfecho do filme de Romero, apesar de não ser sobre zumbis). Não tinha visto ainda e gostei do resultado, mas o meu preferido ainda é
Despertar dos Mortos. Recebeu também um remake na década de 1990 dirigido por Tom Savini e na versão em DVD que possuo também tem uma versão colorizada, que verei em breve.