Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

FILMES VISTOS EM NOVEMBRO DE 2009

Novembro foi o mês que mais vi filmes no ano, totalizando 25. Revi O Cavaleiro das Trevas e continua com a mesma nota. Também revi 13° Distrito, filme de ação francês dirigido por Pierre Morel. Foi um mês bem variado, indo de filmes alternativos a blockbusters e o saldo final pode-se dizer que foi positivo. Queria muito poder ter comentado todos eles, mas nesse post vou apenas postar a lista mesmo, pois ficaria algo muito extenso, se incluísse breves comentários. Vou tecer alguns comentários sobre alguns da lista em breve, mas por enquanto fiquem com a lista do penúltimo mês de 2009:

1) A Última Casa (The Last House on the Left) - 2009 - Dirigido por Dennis Illiadis - Nota: 7.5


2) Sob Controle (Surveillance) - 2008 - Dirigido por Jennifer Lynch - Nota: 7.5


3) Distrito 9 (District 9) - 2009 - Dirigido por Neill Blomkamp - Nota: 9.0


4) O Guerreiro Genghis Khan (Mongol) - 2007 - Dirigido por Sergei Bodrov - Nota: 7.0


5) Os Falsários (Die Fälscher/The Counterfeiters) - 2007 - Dirigido por Stefan Ruzowitzky - Nota: 8.0


6) Cashback (Cashback) - 2006 - Dirigido por Sean Ellis - Nota: 7.5


7) O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) - 2008 - Dirigido por Christopher Nolan - Nota: 10.0

8) Férias Frustradas de Verão (Adventureland) - 2009 - Dirigido por Greg Mottola - Nota: 8.5

9) The Foul King (Banchikwang) - 2000 - Dirigido por Ji-woon Kim - Nota: 7.0

10) Te Amarei para Sempre (The Time Traveler's Wife) - 2009 - Dirigido por Robert Schwentke - Nota: 5.0


11) Max Payne (Max Payne) - 2008 - Dirigido por John Moore - Nota: 4.0


12) Entre os Muros da Escola (Entre Les Murs) - 2008 - Dirigido por Laurent Cantet - Nota: 8.5


13) 2012 (2012) - 2009 - Dirigido por Rolland Emerich - Nota: 6.0

14) Halloween (Halloween) - 2007 - Dirigido por Rob Zombie - Nota: 6.5


15) 13° Distrito (Banlieue 13) - 2004 - Dirigido por Pierre Morel - Nota: 6.5


16) 13° Distrito: Ultimato (Banlieue 13: Ultimatum) - 2009 - Dirigido por Patrick Alessandrin - Nota: 5.0


17) Crimes em Oxford (The Oxford Murders) - 2008 - Dirigido por Álex de la Iglesia - Nota: 6.0


18) Zumbilândia (Zombieland) - 2009 - Dirigido por Ruben Fleischer - Nota: 9.0

19) Ink (Ink) - 2009 - Dirigido por Jamin Winans - Nota: 8.0


20) Giallo: Reféns do Medo (Giallo) - 2009 - Dirigido por Dario Argento - Nota: 4.5


21) Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds) - 2009 - Dirigido por Quentin Tarantino - Nota: 9.5

22) As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath) - 1940 - Dirigido por John Ford - Nota: 8.5
23) Mother (Madeo) - 2009 - Dirigido por Joon-ho Bong - Nota: 9.0


24) Fugindo do Inferno (I Come with the Rain) - 2009 - Dirigido por Anh Hung Tran - Nota: 7.5


25) Juízo Final (Doomsday) - 2008 - Dirigido por Neil Marshall - Nota: 6.0


Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

BASTARDOS INGLÓRIOS (INGLORIOUS BASTERDS) - 2009

Diretor: Quentin Tarantino

Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Diane Kruger, Daniel Brühl, Eli Roth, Christoph Waltz, Michael Fassbender, Til Schweiger, Mike Myers.

Geralmente, hoje em dia, filme cuja temática é concentrada na 2ª Guerra Mundial, não tem muito a acrescentar, historicamente falando, já que é um assunto saturado. Caso não seja um evento bem peculiar acontecido naquela época ou algo criativo, o filme tem grandes chances de não ser nenhuma novidade. Quantos filmes existem retratando a dominação nazista de Hitler nos países europeus? Ou então retratando a perseguição sofrida pelos judeus? Incontáveis trabalhos, sem dúvida. Porém, poucos conseguem se sobressair diante de tanta mesmice e criar roteiros que driblam essa repetição, gerando uma obra realmente exclusiva. Já vimos antes filmes onde rebeldes judeus se insurgiam contra os nazistas e outros que mostravam um plano para matar o Führer, baseados em fatos reais. No entanto, raramente assistimos a um filme onde conta uma história original que nada contra a maré da realidade da Segunda Guerra Mundial. Bastardos Inglórios, aclamado novo filme de Quentin Tarantino, consegue esse feito. E melhor: Consegue ser uma obra-prima, mesmo que contando uma história fictícia, onde poderia muito bem estar nos livros de História no lugar do que realmente aconteceu.

Desde o princípio já esperávamos por algo incomum: primeiro por ser um filme do Tarantino e segundo por ser um longa-metragem de guerra do diretor. Fanático por filmes obscuros italianos e asiáticos dos anos 70, Bastardos Inglórios é uma obra que contém diversas homenagens, citando como exemplo o próprio nome original do filme, homenagem ao italiano "Assalto ao Trem Blindado" (The Inglorious Bastards, de 1978), dirigido por Enzo G. Castellari. Cinéfilo de carteirinha, Tarantino ainda mostra sua paixão ao citar obras cinematográficas alemãs da época da 2ª Guerra, dentro do próprio contexto do filme, além de citações à cultura pop, comuns na filmografia do diretor, como um diálogo que menciona King Kong ou músicas de outros filmes.

Contando com um elenco sensacional e com direito a grandes revelações nas atuações (Christoph Waltz, Mélanie Laurent e Denis Menochet, praticamente desconhecidos fora de seus países), ainda possui um excelente roteiro, escrito pelo próprio Tarantino, uma trilha sonora magnífica e aspectos técnicos sublimes (Fotografia do oscarizado Robert Richardson). Bastardos Inglórios transforma-se em um dos melhores filmes do diretor, se não for o melhor, merecendo ganhar diversos prêmios.


A narrativa do filme é extremamente eficaz, dividida em 5 capítulos, onde ao final todas as histórias paralelas se interligarão, outra característica do cinema tarantinesco. Dentro de suas 2 horas e 33 minutos, que passam voando, seremos apresentados a personagens memoráveis, veremos escalpos de nazistas arrancados por rebeldes judeus e diálogos muito bem construídos, sendo quase impossível citar apenas uma cena de destaque. O espectador já é conquistado logo no início do filme, com os créditos iniciais retrô, ao som de "The Green Leaves of Summer", composta para o filme O Álamo, de 1960. Entra então o primeiro capítulo, intitulado "Era uma vez... na França ocupada pelos nazistas", que tem pouco mais de 20 minutos, simplesmente genial. Somos apresentados aqui a Hans Landa (Christoph Waltz), apelidado de "O Caçador de Judeus", um homem aparentemente educado, mas que se transforma em um sujeito frio e cruel. O diálogo travado entre ele e o camponês Perrier LaPadite (Denis Menochet, em uma atuação de respeito) é digno de ser visto e revisto várias vezes. Surge também nessa cena uma personagem que terá fundamental importância na trama, mais na frente: Shosanna Dreyfus (Interpretada na fase adulta pela bela Mélanie Laurent), que tem sua família assassinada por Hans Landa e promete vingança.

Os outros personagens vão aparecendo no decorrer dos capítulos. Alguns deles estão no grupo de judeus americanos, conhecido por "Os Bastardos", liderado pelo Tenente Aldo Raine (Brad Pitt), que conta ainda com o alemão desertor Hugo Stiglitz (Til Schweiger) e Donny Donowitz, "O Urso Judeu" (Eli Roth, diretor de O Albergue e amigo de Tarantino). Agindo com extrema violência, o grupo é uma alusão à tribo indígena Apache, obtendo como prêmio os escalpos de soldados nazistas, combatendo a crueldade com crueldade. Mais implicitamente, é uma homenagem aos westerns, outro gênero cinematográfico admirado por Tarantino. Além da trilha sonora, que conta com músicas do gênio Ennio Morricone (Principal compositor dos filmes de Sergio Leone), os índios americanos sempre estão presentes nos westerns, gênero americano por natureza, ficando visível a homenagem.

Também vale destacar o soldado alemão Fredrick Zoller (Daniel Brühl, de Adeus, Lênin), famoso por matar diversos judeus e ator do filme "O Orgulho da Nação", que será apresentado em um cinema alemão, por Goebbels (Interpretado aqui por Sylvester Groth), ministro da propaganda de Hitler (Interpretado por Martin Wuttke). Zoller se apaixona pela francesa Shosanna, outra subtrama que se desenvolve no decorrer do filme. Não esquecendo da atriz e espiã alemã Bridget von Hammersmark (Diane Kruger) e Archie Hicox (Michael Fassbender, do surpreendente Hunger), que terão grande importância.

Além de roteiro e filme, o longa merece também indicações nas categorias referentes às interpretações. Christoph Waltz, vencedor do prêmio de "Melhor Ator" em Cannes, é talvez o preferido na indicação de Melhor ator coadjuvante no Oscar 2010. Com certeza, Hans Landa é um dos melhores personagens dos últimos anos e o maior vilão cinematográfico de 2009. Provido de uma grande inteligência e persuasão, sempre acaba descobrindo a verdade com suas perguntas proferidas de uma maneira sempre calma, mas fria. Não sei como tratariam Brad Pitt, na premiação, como Ator Coadjuvante ou Principal, mas não ficaria chateado se ele fosse indicado a alguma delas. Aldo Raine, com seu sotaque redneck e dono de cenas hilárias, é um personagem interessante e Pitt mostra mais uma vez o ótimo ator que é. Mélanie Laurent também merecia uma indicação a Atriz Coadjuvante. Dona de uma beleza ímpar, é uma das grandes revelações de 2009. Sua personagem Shosanna é uma mulher apaixonada pelo cinema, procurando vingança, como "A Noiva" de Kill Bill, mas sem espadas e colant amarelo.

Embora não tenha obtido grande sucesso com seu ainda inédito no Brasil À Prova de Morte, Tarantino alcança com seu novo trabalho um feito respeitável e com certeza é um clássico instantâneo. E Tarantino tem planos para prequels de sua história, contando o passado de seus personagens. Espero que o projeto seja concretizado. Bastardos Inglórios é um filme obrigatório!

Nota: 9.5/10.0

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

ZUMBILÂNDIA (ZOMBIELAND) - 2009

Diretor: Ruben Fleischer

Elenco: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Abigail Breslin, Emma Stone, Bill Murray, Amber Heard.

Coincidentemente, essa nova postagem tem algumas relações com os dois posts anteriores deste blog. Primeiro, com Férias Frustradas de Verão e segundo, com 2012. Por que? Simplesmente porque no filme de Greg Mottola o protagonista é interpretado por Jesse Eisenberg e sua trama se passa em um parque de diversões. E no filme de Roland Emmerich a história se desenrola através de um ambiente apocalíptico, onde o mundo que conhecemos vai cada vez mais se desintegrando. Além de possuir uma participação do ator Woody Harrelson. E em Zumbilândia, esses elementos se juntam em um filme só. Eisenberg? OK! Harrelson? OK! Parque de Diversões? OK! Tom apocalíptico? OK! Resultado: Filme mais divertido do ano!

Quem poderia dizer essa frase antes? Um diretor praticamente desconhecido com um projeto que faria uma sátira a filmes de zumbis. Isso aconteceu antes com Edgar Wright e seu genial filme inglês Shaun of the Dead, assim como o divertido Fido: O Mascote, de Andrew Currie. Quem poderia garantir que aconteceria novamente? Zumbilândia veio se aproximando sorrateiramente, sem fazer muito barulho e acabou fazendo enorme sucesso, garantindo até futuras continuações. E qual a fórmula utilizada por Ruben Fleischer para obter êxito? Um filme politicamente incorreto, com diálogos inteligentes e críticos, respeito aos filmes do gênero satirizado (Os divertidos zombie movies popularizados por George Romero), um grupo de atores que possui uma química invejável, cenas hilárias, criatividade ao tirar sarro com os clichês e uma trilha sonora muito bem escolhida.

Sem se preocupar em explicar os motivos da nova praga do século 21, ou seja, a contaminação de seres humanos, transformando-os em zumbis sedentos por sangue, o diretor transforma os Estados Unidos em Zumbilândia. E para sobreviver a esse ambiente de puro caos e carnificina, você deve ter conhecimento sobre filmes de zumbis e, obviamente, possuir uma arma que possa acabar com os mortos-vivos. O personagem de Eisenberg possui certas similaridades com o James de Adventureland (Até no nome o filme tem semelhanças): Conhecido por Columbus, ele é um jovem anti-social, tímido e, claro, virgem. De uma hora para outra, os seres humanos ao seu redor se transformam em zumbis e ele cria suas próprias regras a fim de sobreviver, como evitar banheiros, acertar as criaturas duas vezes para garantir que não possam voltar a atacar, usar cinto de segurança, não bancar o herói, ter boa forma física, dentre outras. Com isso, acaba brincando com os clichês contidos nos filmes de terror e ainda dá uma alfinetada na sociedade americana (Só observar o grande número de obesos que aparece no filme, principalmente em uma cena que se passa em um supermercado).


Andando sem rumo, Columbus conhece o insano Tallahassee (O ótimo Woody Harrelson), um especialista em matar zumbis, aparentando ser um sujeito durão, mas conhecendo-o melhor, sabemos que seu principal objetivo é dar valor às coisas simples da vida, como quebrar vidros de carros abandonados, destruir uma loja temática inteira ou procurar bolinhos Twinkie como se fossem o cálice sagrado. Juntos, conhecem duas golpistas: Wichita (Emma Stone, maravilhosa) e sua irmã caçula Little Rock (Abigail Breslin). Esses quatro personagens passam então a tentar sobreviver no ambiente hostil que os cerca e procuram um local intacto, onde se possa viver sem ter que meter bala em zumbis.

O humor do filme é o principal destaque. Os diálogos fazem homenagens a diversos filmes e algumas músicas (Em determinado momento fazem uma alusão à "Killing is my Business... And Business is Good", clássico álbum da banda Megadeth). Os créditos iniciais, ao som de For Whom the Bells Tolls do Metallica, são muito legais. E o filme possui uma participação especial que gera a cena mais engraçada de todo o filme. Só vendo para crer! As atuações estão ótimas. Jesse Eisenberg mostra mais uma vez que é um bom ator. Woody Harrelson está em uma boa fase ultimamente, sempre aparecendo em filmes recentes (Seu próximo será mais uma sátira, dessa vez com super-heróis, chamado Defendor) e aproveita sua participação no filme, com um personagem hilário. Abigail Breslin mostra uma personagem que se aproveita de sua aparência inofensiva para pregar peças em qualquer um que apareça pela frente, mais precisamente homens. E Emma Stone completa o grupo, irmã de Little Rock (Notem que nenhum personagem revela seus nomes, apelidados pelo nome de cidades americanas) que engana transeuntes com sua beleza e sensualidade.

O filme ainda tem um gore considerável, com mortes bastante criativas, para alegria dos fãs do gênero. Os zumbis são da nova geração (Madrugada dos Mortos, Extermínio), ou seja, velocistas e nada lerdos, como inicialmente concebidos. Por isso a regra que Columbus cria para fugir deles, ou seja, ter uma boa forma física. Zumbilândia é talvez o filme mais divertido do ano, com sua duração rápida como uma bala (Menos de 90 minutos), personagens interessantes e uma grande homenagem aos filmes de zumbis. Infelizmente, o lançamento do filme aqui no Brasil foi adiado mais uma vez, onde periga ir direto para DVD, dependendo da boa vontade da Sony (Previsto para Janeiro de 2010). Uma resposta americana muito bem bolada ao inglês Shaun of the Dead e quem ganha somos nós cinéfilos. Altamente recomendado, mesmo que não seja fã dos queridos mortos-vivos canibais. Fiquemos agora aguardando pela continuação do filme ou pelo próximo projeto de Ruben Fleischer.

Nota: 9.0/10.0

Terça-feira, Novembro 17, 2009


FÉRIAS FRUSTRADAS DE VERÃO (ADVENTURELAND) - 2009

Diretor: Greg Mottola

Elenco: Jesse Eisenberg, Kelsey Ford, Matt Bush, Ryan Reynolds, Kriste Wiig, Bill Hader, Kristen Stewart, Martin Starr.

Lançado diretamente em DVD aqui no Brasil, com um título que dá a impressão de ser uma comédia (Sem contar a falta de criatividade, pois gera confusão com o filme de nome semelhante, Férias Frustradas, com Chevy Chase), o novo trabalho de Greg Mottola, diretor de Superbad, é um filme muito cativante que nos transporta para mais de 20 anos atrás, para a querida e espalhafatosa década de oitenta. Do visual dos personagens à trilha sonora, o filme passa uma sensação gostosa de nostalgia, de tempos que não voltarão mais, como aconteceu recentemente com o excelente O Filho de Rambow, embora o filme de Garth Jennings tenha como foco a infância.

Adventureland se concentra em jovens entrando na fase adulta, onde, no ano de 1987, em um parque de diversões situado em Pittsburgh, cujo nome é o título do filme (Realmente existente na vida real), os personagens viverão algo que ficará em suas mentes pelo resto de suas vidas. Isso tudo durante um único verão. O protagonista é James Brennan (Jesse Eisenberg, do recente Zumbilândia), um jovem que terminou o ensino médio e pretende se mudar para Nova York, a fim de entrar no curso universitário de jornalismo. Para realizar seu sonho, no entanto, terá que arranjar dinheiro, já que seus pais não podem arcar com as despesas. James consegue então um emprego temporário em Adventureland, na seção de jogos. Tendo como um dos únicos amigos o chatíssimo e inconveniente Tommy Frigo (Matt Bush), James acaba fazendo amizades no seu novo local de trabalho e pouco a pouco o ambiente que antes era um local monótono, se transforma em um lugar onde ele quer estar todo o tempo. Principalmente quando conhece a problemática Em Lewin (Kristen Stewart, a queridinha do fenômeno Crepúsculo e suas continuações) e começa a notar nela certas similaridades consigo mesmo, como o gosto musical, por exemplo. Não demora muito para ele se apaixonar.

Outros personagens interessantes cruzam o caminho de Brennan: O ateu e tímido Joel (Martin Starr), que acaba se transformando no melhor amigo de James, a lenda local Mike Connell (Ryan Reynolds, em um papel sério) sujeito casado que, de acordo com boatos, já tocou junto com Lou Reed, o histérico dono do parque, chamado Bobby (Bill Hader) e a gostosona do pedaço Lisa P. (Margarita Levieva). Todos eles entrarão em conflitos, principalmente amorosos, mas tudo conduzido de uma forma madura por Mottola, não se tornando em algo piegas ou superficial.

Um fator interessante no parque de diversões é que a maioria dos jogos, como o das argolas ou o que tem como objetivo derrubar o chapéu dos manequins (Eles são colados na cabeça deles, impossibilitando derrubá-los), não são nada honestos, trapaceando quem ousar jogá-los, o que gera alguns momentos de comédia (Bill Hader contribui também nesse aspecto). O ator Matt Bush também é outro alívio cômico, totalmente sem noção e sempre disposto a acertar os testículos de James quando este está distraído, em uma brincadeira inútil. No entanto, o filme não se concentra no fator comédia, possuindo pouquíssimos momentos desse tipo. O gênero de Adventureland seria mais um drama sobre vivências juvenis e como elas nos deixam marcas que ficarão por toda nossa existência. No início poderíamos até pensar que seria algo com alguns elementos do filme anterior de Mottola, onde James é um jovem inexperiente e virgem, talvez podendo entrar em uma jornada sexual e etílica dentro do parque de diversões. No entanto, James não é um jovem bobão, como os de Superbad. Apenas é tímido, mas consegue contornar isso com maturidade e sagacidade.
A trilha sonora do filme é um dos destaques, repleta de faixas pegajosas e hinos do rock, como Breaking the Law, do Judas Priest (A cena onde ela toca é ótima), Satellite of Love, do já citado Lou Reed e músicas de artistas como The Cure, INXS, The New York Dolls, Husker Dü, The Velvet Underground, Yo La Tengo, Whitesnake e The Rolling Stones. A própria ambientação oitentista também ajuda para criar um clima nostálgico, onde jogávamos Atari, nos vestíamos com roupas cafonas e tínhamos penteados exóticos.

Férias Frustradas de Verão é um filme que me causou certa surpresa, pois, como já falei, esperava uma comédia e não se trata disso. Com roteiro do próprio Greg Mottola, ele se inspirou em fatos reais, pois em 1987 o diretor só tinha 23 anos e já trabalhou no parque de diversões Adventureland, portanto, se transformando em uma obra bastante pessoal. Mais um filme competente de Mottola e que merece ser conferido agora que foi lançado em DVD. É um diretor que se preocupa com seus personagens e faz com que simpatizemos com eles. Uma pequena pérola e não perca a cena após os créditos, que simula um comercial totalmente oitentista de uma forma excelente! Esperemos pelo próximo filme de Greg Mottola, que promete: Paul, previsto para 2010, com Simon Pegg e Nick Frost fazendo parte do elenco.
Nota: 8.5/10.0

Sexta-feira, Novembro 13, 2009


2012

Diretor: Roland Emmerich

Elenco: John Cusack, Amanda Peet, Woody Harrelson, Chiwetel Ejiofor, Danny Glover, Thandie Newton, Oliver Platt, Thomas McCarthy, Zlatko Buric.

Roland Emmerich, o especialista em filmes-catástrofe, ataca mais uma vez. O alemão reúne nesse seu novo filme, tudo que já foi visto nos anteriores (Principalmente O Dia depois de Amanhã e Independence Day) e espero que se torne sua obra definitiva de destruição, pois não tem muito o que se fazer depois que destrói o planeta Terra (Talvez todos os planetas, quem sabe?). 2012 é uma diversão passageira, nada que não tenhamos visto antes e possui os mesmos clichês de sempre, personagens fracos, terremotos, explosões vulcânicas e enormes ondas marítimas, tudo isso aliado a uma duração de quase 3 horas de duração. Exagero é pouco para definir o filme! Portanto, já saiba o que vai assistir, quando chegar na bilheteria do cinema mais próximo. Não esperando atuações formidáveis ou um enredo original poderá até se divertir e esquecê-lo assim que sair da sessão.

O filme inicia em 2009, quando um geólogo chamado Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) descobre com um amigo indiano que estão ocorrendo variações perigosíssimas nas radiações solares que poderão acabar com o Planeta Terra em poucos anos. Chegamos então à 2012, onde, de acordo com uma profecia maia, em dezembro deste ano, acontecerá o fim do mundo e o início de uma nova era, simbolizado pelo alinhamento dos planetas e inversão dos pólos. A profecia se concretiza e basicamente a história do filme é essa. A partir daí acompanhamos uma dúzia de personagens que tentarão procurar a salvação deste desastre de proporção mundial. Os outros bilhões de seres vivos que morrem estão lá somente para nossa diversão.

As cenas de destruição são ótimas, principalmente as que acontecem nas cidades, com fendas se abrindo no asfalto e prédios sendo derrubados, mas estão todas no trailer. Inclusive, a tão comentada cena do Cristo Redentor sendo destruído só aparece em menos de 5 minutos. Nesse aspecto, Emmerich é mestre, parecendo um garotinho (Com mais recursos, óbvio) que gosta de destruir seus brinquedos, depois de organizá-los por um tempo.


O elenco é interessante, mas sabemos que não devemos cobrar uma boa atuação nesse tipo de filme, já que não há espaço para isso. John Cusack é Jackson Curtis, um escritor não tão famoso que tenta se reaproximar de sua família. Divorciado, sempre visita sua esposa Kate (Amanda Peet) a fim de pegar seus filhos para acampar (Lembra muito Guerra dos Mundos, não?). Jackson não se dá muito bem com o novo amor de Kate, Gordon Silberman (O diretor e ator Thomas McCarthy), mas terá que unir forças com ele posteriormente, quando o mundo estiver desabando. O presidente dos EUA, Thomas Wilson (Danny Glover), alusão à Barack Obama, já sabia do armageddon há dois anos atrás, por causa das informações do geólogo Adrian, mas esconde da população a notícia, planejando transmiti-la quando estiver mais próximo. Completando o elenco, ainda estão Thandie Newton, que interpreta a filha do presidente, Woody Harrelson (Talvez o mais divertido do filme), interpretando um radialista maluco que sabe que o fim está próximo, Oliver Platt e Zlatko Buric (Mais conhecido por atuar na trilogia Pusher, do dinamarquês Nicolas Winding Refn).

Como sempre nos filmes do Emmerich, os americanos são os salvadores da Terra, utilizando mão de obra chinesa desta vez para a construção de "Arcas de Noé" hi-tech (Em O Dia depois de Amanhã, os americanos buscavam abrigo no México), mas que na verdade só possuem vagas para os mais ricos. Os pobres que morram (Crítica social produnda, não?)! Os diálogos do filme são fracos, alguns proferidos antes de ocorrer uma catástrofe, como a música que um grupo de Jazz toca em um cruzeiro, onde na letra consta trechos de que não é o fim do mundo, mas sabemos que em breve chegará uma enorme onda amigável para dar um abraço neles. Isso acontece incontáveis vezes durante o filme, não se preocupem. E vale ressaltar o que o Pablo Villaça comentou em seu site (Veja a crítica do filme aqui), onde o personagem de John Cusack se transforma no melhor motorista da face da Terra, assim como Gordon vira o melhor piloto de avião da galáxia. Isso de uma hora para outra, quando tem que lutar pelas suas vidas e pelas de seus familiares. O medo gerado pela situação dá asas aos protagonistas.

O filme, enfim, é isso: Possui diálogos toscos, clichês a cada 5 minutos, previsível até dizer chega e possui uma duração extremamente longa, mas seus efeitos especiais são ótimos e o filme diverte um pouco mesmo assim. Mesmo que só para dar risadas das situações. E é impagável ver uma cena onde um cachorrinho sofre apuros, consegue ser salvo, sua dona mostra o dedo do meio para determinado personagem e o público no cinema delira. Não tem como não rir dessa baboseira!

Nota: 6.0/10.0

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

PROJETO "MISSÃO 24 HORAS BRASIL":


A Ichimps, empresa publicitária que executou a campanha viral do DVD de Max Payne há uns meses atrás (Conferir esse post), está com um novo projeto. Agora será um ARG relacionado à série 24 Horas, onde envolverá ações online e offline (Para quem residir em São Paulo) e as equipes formadas colherão pistas a fim de solucionar os enigmas que acontecerão nos dias 28 e 29 de Novembro de 2009. O projeto visa promover a sétima temporada da série, que está à venda e os prêmios são bastante chamativos. Saca só os prêmios que as equipes poderão ganhar:

1º Lugar: 3 Aparelhos de telefone celular da marca Blackberry / 1 Quadro autografado pelo ator Kiefer Sutherland / 3 kits de todas as temporadas da série 24 Horas em DVD / 3 caixas com a 7ª temporada da série 24 Horas em Blu-ray.

2º Lugar: 1 roteiro autografado pelo ator Kiefer Sutherland e pelos produtores e diretores da série 24 Horas / 3 relógios licenciados pela série 24 Horas / Todas as temporadas da série 24 Horas em DVD / 1 caixa com a 7ª temporada da série 24 horas em Blu-ray.

3º Lugar: 1 roteiro autografado pelos produtores e diretores da série 24 horas / 3 relógios licenciados pela série 24 Horas / Todas as temporadas da série 24 horas em DVD / 1 caixa com a 7ª temporada da série 24 horas em Blu-ray.

Para maiores informações, cadastro e regulamento, acessem http://www.missao24horasbrasil.com.br/. Para seguir Chloe O'Brien no Twitter, que ajudará as equipes cadastradas, só visitar o perfil: http://twitter.com/24hChloe. Perfil da comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=95918084.

Estou tentando formar uma equipe, de preferência com alguém de São Paulo que possa participar das tarefas offline, já que sou de outro estado. Se quiserem ir montando suas equipes, só visitarem o site do projeto e ir cadastrando. Promete ser divertido!

Domingo, Novembro 08, 2009

LISTA DE FILMES VISTOS EM OUTUBRO DE 2009
Depois de quase um mês sem postar aqui no blog, podendo dizer que tirei férias nas postagens, volto para postar a lista mensal dos filmes vistos. Estava sem criatividade para postar sobre os filmes que vi e sem muita empolgação, principalmente por causa da correria causada pelas solenidades finais de minha formatura. Só criei dois posts no mês passado, para se ter uma idéia. Mas agora vou tentar voltar à normalidade, postando frequentemente e desculpem a minha ausência. Vi 14 filmes, a maioria de excelente qualidade, de procedência estrangeira ou desconhecidos filmes americanos. No entanto, vi talvez o pior filme do ano até então: Gamer. Queria poder escrever sobre eles mais detalhadamente, mas como não foi possível, fiz breves comentários sobre cada. Vamos à lista:


1) Loft (Idem) - 2008 - Dirigido por Erik Van Looy - Nota: 8.5 - Do mesmo diretor do excelente Alzheimer Case, este filme belga é outro suspense muito bem construído por Erik Van Looy. Com uma história simples, o diretor vai criando sua trama com habilidade, até o seu final repleto de reviravoltas. A forma como o filme é construído lembra um pouco Os Suspeitos, de Bryan Singer, em que 5 amigos, casados e bem sucedidos, resolvem frequentar um loft, propriedade de um deles, onde poderão dar suas escapadelas e levar suas amantes até o local, tudo discretamente. O problema aparece quando, numa certa noite, o corpo de uma mulher aparece na cama, todo ensanguentado e sem vida. A partir daí, os amigos tentam descobrir, assim como o espectador, quem matou aquela pessoa, mostrando flashbacks de fatos que levaram àquela situação trágica. As atuações estavam ótimas, de todos eles e vale destacar dois atores que também estiveram no filme anterior do diretor: Koen De Bouw e Jan Decleir. A trilha sonora é outro fator a se destacar, típica de um belo suspense. Fiquem de olho nesse diretor! Seu próximo trabalho será no roteiro do filme Dossier K., outro que aguardo ansiosamente.



2) Comando Final (Saat Po Lang) - 2005 - Dirigido por Wilson Yip - Nota: 8.0 - Antes de comandar o ótimo Flashpoint, em 2007 e a história do mestre de Bruce Lee Ip Man, em 2008 (Que receberá uma sequência em 2010), o diretor chinês Wilson Yip tinha conduzido este grande filme de ação Comando Final, com uma reunião de grandes atores de filmes de ação chineses, como Donnie Yen, colaborador fiel do diretor, Simon Yan e Sammo Hung, numa trama que envolve a luta incessante contra o crime e a consequência deste ato. O filme não tem muitas lutas, mas as que existem nele são impressionantes. Uma cena excelente é quando um policial é surpreendido por um misterioso assassino que é expert em armas brancas. O ambiente, que antes estava repleto de pessoas, vai aos poucos ficando vazio e só restam o policial sem sorte e o tal assassino, resultando em uma cena brutal, tamanha a violência, mas que fica em nossa memória. Um dos melhores filmes de ação orientais que vi nos últimos anos.


3) Passageiros (Passengers) - 2008 - Dirigido por Rodrigo García - Nota: 5.0 - Se tem uma coisa que atrapalha totalmente este filme de Rodrigo García, filho do renomado escritor Gabriel García Márquez, é o seu trailer. Caso tenha vontade de ver esse filme, não veja o trailer dele, pois possui um spoiler que já mata a charada sobre a revelação final. Mesmo que não veja, ainda assim com 40 minutos de filme você já consegue saber o que o diretor guarda para a tal revelação "surpreendente". Aliás, pelo próprio acontecimento inicial já dá para saber o final. O maior pecado do filme é justamente a sua previsibilidade, em uma obra que assistimos e 15 minutos depois já a esquecemos. A trama se desenrola praticamente como um romance e quando tenta injetar suspense, já é tarde demais para ganhar o interesse do espectador. Nem Anne Hathaway salva o filme de se tornar desinteressante.


4) Intrigas de Estado (State of Play) - 2009 - Dirigido por Kevin Macdonald - Nota: 8.0 - O diretor Kevin Macdonald, mesmo de O Último Rei da Escócia, se baseou em uma mini-série da BBC para construir o seu novo longa-metragem. Com um elenco composto por Russell Crowe, Rachel McAdams, Ben Affleck, Helen Mirren, Jason Bateman e Jeff Daniels, é um thriller político bastante eficiente que faz lembrar um pouco o clássico Todos os Homens do Presidente, por causa dos esforços de jornalistas em desvendar um escândalo no congresso. Tem um bom ritmo, boas atuações e prende a nossa atenção, características bastante positivas e que me deixaram interessado na mini-série inglesa, com também um elenco respeitável, como David Morrissey, James McAvoy, Bill Nighy e Kelly MacDonald.


5) A Primeira Noite de um Homem (The Graduate) - 1967 - Dirigido por Mike Nichols - Nota: 8.0 - Só agora pude assistir a este clássico filme de Mike Nichols, cujo pôster é facilmente reconhecível e marcou época, com uma atuação inspirada de Dustin Hoffman, no auge de sua carreira. Os ângulos de câmera ousados, a trilha sonora composta por Simon & Garfunkel e a leveza com que é conduzida a trama, dividida em duas partes (Envolvimento do jovem Ben Braddock com a coroa Mrs. Robinson e depois a paixão do rapaz pela filha da personagem de Anne Brancroft) são motivos para reconhecermos que trata-se de um filme de grande força. Uma comédia romântica que seria imitada à exaustão nos anos posteriores.


6) Nightwatch: Perigo na Noite (Nattevagten) - 1994 - Dirigido por Ole Bornedal - Nota: 7.5 - Eficiente suspense do diretor Ole Bornedal, que pega bastantes influências do mestre Alfred Hitchcock. Este filme dinamarquês recebeu um remake três anos depois, dirigido pelo mesmo diretor e com elenco conhecido, como Ewan McGregor, Patricia Arquette, Josh Brolin, Nick Nolte e Brad Dourif, mas de uma qualidade inferior. Na trama, um jovem estudante de direito arruma um emprego em um necrotério e passa a tentar se adaptar no local tétrico, mas um psicopata está solto na cidade e começa a causar problemas. A utilização de Macguffins para desviar a atenção do espectador e a identidade misteriosa do assassino são características básicas de Hitchcock e estão presentes no filme de uma forma competente.


7) Não é mais uma história de amor (Kærlighed på film) - 2007 - Dirigido por Ole Bornedal - Nota: 9.0 - Olha o Ole Bornedal novamente! O diretor se inspirou no noir para construir a história deste filme e utilizou esse estilo habilmente, em uma obra que tem uma narrativa não-linear e montada de uma forma eficaz. Iniciado por três cenas intituladas "Cenas de amor 1, 2 e 3", mostra fatos que não tem nenhuma ligação, mas que no decorrer da trama serão explicados. Os diálogos são ótimos, intercalados por comentários do narrador, o personagem Jonas (Anders W. Berthelsen), um homem casado que trabalha como fotógrafo. Um dia ele se envolve em um acidente automobilístico que deixa uma vítima, a perturbada Julia (Rebecka Hemse), que acaba ficando sem memória depois do acidente. Quando vai visitá-la no hospital, ele é confundido com o namorado de Julia, Sebastian e resolve se passar por ele, terminando por nascer um romance entre Jonas e Julia. Mas tal fato claro que gerará confusões pela frente e pouco a pouco saberemos qual o motivo da perturbação de Julia e seu passado misterioso. Influências de Hitchcock também estão presentes aqui e podemos notar resquícios do já citado Nightwatch, como cenas em necrotérios e troca de identidades. O resultado é um filme de suspense com um romance cru e por que não realista, sem espaço para melosidades típicas de um filme de amor. Com certeza, um dos melhores do mês e deve ser conferido. Se serve de incentivo, o filme foi lançado em DVD no Brasil e receberá um remake em 2011, comandado pelo diretor Marc Webb, mesmo do sucesso 500 Dias com Ela.


8) Morrer ou Viver (Dead or Alive: Hanzaisha) - 1999 - Dirigido por Takashi Miike - Nota: 7.0 - Filmes do japonês maluco Takashi Miike não são comuns, obviamente. E isso também se aplica ao filme de ação Morrer ou Viver, primeiro de uma trilogia que tem diferentes narrativas em cada um. Aqui a ênfase é na ação, enquanto que no segundo filme se concentra mais no drama e o terceiro já apela, onde sua história se passa em um futuro distante. A história central desse primeiro volume é o envolvimento da polícia com a máfia Yakuza e contrabandistas tailandeses, mas durante a construção da trama, a bizarrice típica do diretor sempre aparece. O início do filme é insano, mostrando desde macarrão saindo da barriga de um homem após ser baleado até um drogado cheirando uma carreira imensa de cocaína. O final então, é um dos mais absurdos que se possa imaginar. Só vendo para crer. Apesar de todas essas loucuras, a trama do filme é construída de uma forma sóbria, com poucos momentos de insanidade. Quem não for acostumado com o cinema de Takashi Miike vai estranhar totalmente.



9) Franklyn (Idem) - 2008 - Dirigido por Richard McMorrow - Nota: 5.0 - Infelizmente, um filme que tem uma idéia interessante, mas conduzido de uma forma decepcionante. Misturando fantasia com realidade, tenta passar complexidade em seu roteiro, mas ao final parece bastante indigesto. Com um elenco composto por Eva Green, Ryan Phillippe, Sam Riley e Bernard Hill, possui quatro histórias que se conectam em determinado momento. A ambientação gótica de Meanwhile City, regida por fanáticos religiosos e a caracterização do personagem Jonathan Preest é muito boa, parecendo algo saído de Cidade das Sombras, de Alex Proyas. Se o filme fosse só uma fantasia concentrada nesse mundo, poderia resultar em um belo filme. Mas o diretor resolve fazer conexões com o mundo real e atrapalha tudo. Aliás, até hoje não consegui entender o porquê do título do filme ser Franklyn, já que o nome aparece em poucos momentos, sem maiores explicações. As histórias são desinteressantes, com exceção da já citada em Meanwhile City. Bernard Hill está muito bem, mas não consegue levar o filme sozinho. Visualmente é um primor, mas o roteiro é bastante pobre. Esperemos pelo próximo trabalho de Richard McMorrow. Quem sabe ele possa melhorar?



10) Get Thrashed: A História do Thrash Metal (Get Thrashed: The Story of Thrash Metal) - 2006 - Dirigido por Rick Ernst - Nota: 7.5 - Documentários sobre o mundo do Heavy Metal estão em alta no momento. E felizmente são elogiados pela crítica, como Some Kind of Monster, contando problemas internos do Metallica, Metal: A Headbanger's Journey, Global Metal e Flight 666, dirigidos por Sam Dunn, Anvil: The Story of Anvil, bastante elogiado contando a história da banda canadense e este Get Thrashed. Este documentário serve para contar a história de um dos subgêneros mais brutais e rápidos do Metal, o Thrash Metal. O diretor Rick Ernst se concentra mais nas bandas americanas do estilo, passando da Bay Area com bandas como Exodus, as eternas rivais Metallica e Megadeth até o Slayer e Anthrax. Depois concentra pouca atenção no Thrash Metal Germânico, falando somente do Kreator, apesar de conter participação de Tom Angelripper, vocalista do Sodom. Se tivesse uma duração maior, gostaria de ouvir histórias da já citada Sodom e também do Destruction que, juntas, formam a trinca do Thrash Metal alemão (Sem esquecer dos cervejeiros do Tankard, claro). É um documentário competente que faz um apanhado da história do Thrash Metal, falando até na queda do estilo nos anos 90, década do grunge, onde o Thrash Metal era representado apenas pelo Pantera. Fala também do surgimento do odiado Nü Metal, composto por bandas como Korn, Limp Bizkit e Linkin Park. O documentário foi ainda mais interessante porque fui ao show do Kreator e Exodus em Fortaleza, um evento inesquecível, pois foi o primeiro show internacional que presenciei. E as duas bandas citadas estão no documentário, como falei anteriormente. Para quem tiver curiosidade e for leigo sobre esse estilo tão multi-facetado que é o Metal, confiram esses documentários citados.



11) The Man From Earth (Idem) - 2007 - Dirigido por Richard Schenkman - Nota: 9.0 - Com um roteiro fantástico de Jerome Bixby, que contribuiu com episódios de Star Trek e The Twilight Zone, este filme independente dirigido por Richard Schenkman (Que, pasmem, dirigiu documentários sobre a Playboy) é uma ficção-científica completamente esquecida pelas premiações. Você encontra poucas informações sobre ele nos sites de cinema, o que é uma pena, dado que é um pequeno grande filme, sem apelar para nenhum efeito especial, utilizando-se apenas um cenário, bons diálogos e uma boa história. Na história, John Oldman (David Lee Smith), está prestes a se mudar, quando seus amigos professores resolvem fazer uma festinha de despedida. Depois de pedir demissão, misteriosamente, da universidade em que lecionava, John pretende ir embora para outro lugar. O motivo de sua mudança é revelado para os amigos: Ele diz ser um homem de 14000 anos de idade, passando por todos os momentos que vimos nos livros de História. No começo, acreditam ser apenas uma brincadeira intelectual histórica, mas com no decorrer de suas histórias, os amigos ficam consternados e passam a fazer perguntas para John, ao mesmo tempo que duvidam de tudo aquilo. O filme prende sua atenção, com todos os diálogos convincentes de Oldman, em um roteiro inteligente do falecido Bixby. Apenas o ator Tony Todd é mais conhecido, mais lembrado pelo filme de terror Candyman. Altamente recomendado para os fãs de ficção-científica e para os que gostam de apreciar um filme com poucos recursos, mas conduzido de uma forma inteligente.



12) Que o Céu nos Ajude (Religulous) - 2008 - Dirigido por Larry Charles - Nota: 7.5 - Antes de dirigir Brüno, o diretor Larry Charles comandou esse documentário que segue o mesmo estilo das obras com Sacha Baron Cohen, onde pessoas são confrontadas sobre assuntos difíceis de se falar abertamente e deixando-as encurraladas e embaraçadas com suas próprias respostas. No caso de Religulous (Trocadilho entre as palavras "Religion" e "Ridiculous"), o tema tratado, óbvio, é a religião e Bill Maher, do programa Real Time with Bill Maher, descrente assumido, passa a contestar os dogmas religiosos perante fanáticos, claro que de uma maneira menos escrachada que Borat ou Brüno. As religiões retratadas aqui são a católica, a protestante, a mórmon, o islamismo e fala um pouco sobre Cientologia também, sempre com comentários ácidos de Maher, assim como legendas que ridicularizam algumas situações. Os diálogos são interessantes e alguns geram riso, diante da ignorância e cegueira religiosa de alguns entrevistados. Engraçado quando Maher se depara com um padre rebelde na Itália, assim como um pastor questionado sobre todo o dinheiro que ele arrecada de seus fiéis e usa para comprar roupas caras, perguntas feitas na maior cara de pau por Maher. Em alguns momentos fica desinteressante, mas o resultado final é divertido. Alguns comentários do Maher retratam o que eu também penso sobre religiões e me identifiquei um pouco com o documentário.


13) Gamer (Idem) - 2009 - Dirigido por Mark Neveldine e Brian Taylor - Nota: 2.0 - O que acontece quando vimos um trailer, gostamos dele, verificamos a sinopse e nos agradou, mas quando vamos assistir ao filme, é algo completamente diferente do que pensávamos? Pode superar as expectativas ou simplesmente ser uma experiência terrível. Gamer se enquadra nesta última alternativa. Com seus 95 minutos de duração, torçemos para que tudo acabe logo diante de tanta tremedeira nas câmeras, situações bizarras de mau gosto, atuações fraquíssimas e cenas de ação confusas. O que dizer das cenas de tiroteio, onde o diretor parece estar com Mal de Parkinson? E aquela cena na rave, que mais parece uma cena piorada e mais bizarra de Irreversível (E eu gostei do filme do Gaspar Noé)? Michael C. Hall está completamente caricato neste filme, em uma atuação que fica anos-luz de distância das mostradas nas séries televisivas Dexter ou À Sete Palmos. Terry Crews só faz rosnar e fazer caretas e Gerard Butler também não ajuda. Possui pouquíssimas situações interessantes, como o conceito do jogo "Society", liderado por gamers pervertidos (Aquele gordo seboso é uma crítica ao vício exagerado em games, gerando sedentarismo), mas só isso mesmo. Talvez o pior filme do ano.



14) A Noite dos Mortos Vivos (The Night of the Living Dead) - 1968 - Dirigido por George Romero - Nota: 8.0 - Clássico filme de zumbis que iniciou todo um subgênero do terror e uma série que Romero viria a continuar até os dias de hoje. Filmado em preto e branco, o diretor contorna o baixo orçamento e nos presenteia com um filme ousado para a época, com violência gráfica (Apesar de mais inocente que a utilizada no filme Blood Feast, filme de Hershell Gordon Lewis, de 1963) e um final sem esperanças (O filme O Olho que Tudo Vê homenageia o desfecho do filme de Romero, apesar de não ser sobre zumbis). Não tinha visto ainda e gostei do resultado, mas o meu preferido ainda é Despertar dos Mortos. Recebeu também um remake na década de 1990 dirigido por Tom Savini e na versão em DVD que possuo também tem uma versão colorizada, que verei em breve.